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29 de Dezembro de 2011
JACKSONVILLE, Flórida, 9 de dezembro de 2011— O uso de dois medicamentos, nunca usados em combinação anteriormente, para o tratamento de câncer de ovário, resultou na destruição de 70% das células cancerosas resistentes a agentes quimioterápicos comumente utilizados, informam pesquisadores da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida. O relato dos pesquisadores, publicado na versão online do periódico Gynecologic Oncology, sugere que a combinação das drogas ixabepilona e sunitinibe pode ser uma opção, bastante necessária, para o tratamento de mulheres com câncer de ovário avançado. Quando descoberto em estágio avançado, o câncer de ovário é geralmente fatal, porque deixa de responder progressivamente aos medicamentos de quimioterapia usados para combatê-lo.
"As mulheres morrem de câncer de ovário porque os tumores se tornam resistentes à quimioterapia. Portanto, uma medicação que possa reduzir essa resistência — que é o que a combinação destes medicamentos está fazendo — seria uma dádiva para o tratamento desse tipo difícil de câncer", afirma o coautor do estudo, o hematologista-oncologista Gerardo Colon-Otero, M.D., que trata pacientes com câncer de ovário.
A descoberta também destaca a importância do papel da molécula RhoB que, segundo os pesquisadores, é ativada pela dupla de medicamentos. O pesquisador sênior do estudo, John Copland, Ph.D., biologista especializado em câncer, identificou a RhoB como um modulador — chave da resposta ao medicamento em outros tipos de tumor, porém seu papel no câncer de ovário era desconhecido antes desse estudo.
"Agora, descobrimos que, com essa combinação de medicamentos, a RhoB fica maior e a célula morre", ele diz.
O estudo foi possível porque John Copland e seus colegas de laboratório, incluindo a coautora Laura Marlow, criaram e caracterizaram, em laboratório, duas novas linhas de células de ovário, que foram obtidas de espécimes de tecido de tumores de paciente com câncer metastático, cujos tumores pararam de responder a diversos medicamentos de quimioterapia.
O hematologista-oncologista Geraldo Colon-Otero sugeriu o uso, como tentativa, dos dois medicamentos. Nenhum dos medicamentos havia sido aprovado para tratamento do câncer de ovário. O ixabepilona, aprovado para câncer de mama metastático, é um medicamento de quimioterapia que, como outros medicamentos taxanos, ataca os microtúbulos e impede as células que estão se dividindo que formem um veio. O sunitinibe, aprovado para uso no tratamento do câncer de rim, pertence à uma classe de inibidores da proteína tirosina-cinase, que impede que a "ordem de crescer" chegue ao interior das células cancerosas.
O médico Prakash Vishnu, um ex-pesquisador da Clínica Mayo de Jacksonville, agora no Instituto do Câncer Floyd e Delores Jones, no Centro Médico Virginia Mason, em Seattle, Washington, foi o principal autor do artigo e liderou o estudo, tendo como coordenadores os médicos Colon-Otero e John Copland. Prakash Vishnu descobriu que nas duas linhas de células, a destruição era significativamente maior com a combinação dos dois medicamentos do que com o uso de qualquer deles isoladamente. Por exemplo, em linhas resistentes à quimioterapia (em que essa provável terapia combinada de agentes será usada), o ixabepilona, isoladamente, matou cerca de 30% das células; o percentual para o sunitinibe foi de até 10% Quando os agentes foram usados juntos, o percentual de destruição foi de 70%.
John Copland afirma que a RhoB é um biomarcador potencial, que poderá ajudar a identificar pacientes que poderão se beneficiar de tal terapia, baseada na combinação desses medicamentos.
O estudo foi financiado pela Clínica Mayo. Outros coautores são os médicos Joseph Santoso, da Universidade do Tennessee, e Kevin Wu, da Clínica Mayo, bem como os estudantes de graduação Gregory Kennedy e William Kennedy, do laboratório de John Copland. Os pesquisadores declaram que não há conflitos de interesse.
Para mais informações sobre tratamento de câncer de ovário e outros tipos de câncer na Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, contate o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 904-953-7000 ou envie um email para intl.mcj@mayo.edu.
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