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29 de Dezembro de 2011
JACKSONVILLE, Flórida, 20 de junho de 2011 — Uma equipe internacional de pesquisa, sob a liderança compartilhada de cientistas da Clínica Mayo de Jacksonville, Florida, descobriu três possíveis genes de suscetibilidade ao desenvolvimento de paralisia supranuclear progressiva (PSP), uma doença neurodegenerativa rara, que causa sintomas similares aos da doença de Parkinson, mas que é resistente à medicação para a Parkinson. O relatório dos cientistas foi publicado na edição online, de 19 de junho, do jornal Nature Genetics.
As descobertas apresentam uma hipótese translacional testável, quanto ao desenvolvimento e progressão da PSP, e também podem fornecer pistas sobre outros distúrbios cerebrais mais comuns, causados pela acumulação de proteína tau no cérebro, dizem os pesquisadores. Essas taupatias incluem algumas formas de doença de Parkinson, demência frontotemporal, doença de Alzheimer e outros distúrbios.
Eles são candidatos promissores a genes que podem nos ajudar a entender e, possivelmente, encontrar um tratamento para a PSP, diz o neuropatologista Dennis W. Dickson, um dos principais coautores do estudo. Embora essas descobertas sejam surpreendentemente convincentes, ainda estamos nos estágios bem iniciais desse trabalho. Esses genes são excelentes candidatos, mas temos de nos certificar de que eles são, realmente, genes de suscetibilidade.
Com 29 instituições dos Estados Unidos e da Europa envolvidas no estudo, esse é um dos maiores trabalhos de colaboração internacional até hoje, nas pesquisas relacionadas à PSP, diz o Dennis Dickson. Também é um dos maiores relatórios sobre um distúrbio neurológico confirmado patologicamente.
A contribuição da Clínica Mayo foi fundamental, ele diz. Com foco nos distúrbios do movimento, a Clínica Mayo de Flórida é um centro nacional de pesquisas, para onde são encaminhados pacientes com PSP para fins de diagnóstico e tratamento. A clínica também conserva a maior coleção do mundo de tecidos cerebrais de pacientes com PSP. A Society for Progressive Supranuclear Palsy Brain Bank (sociedade para a manutenção de um banco de tecidos cerebrais com paralisia supranuclear progressiva), criada por Dennis Dickson há 10 anos, mantém amostras de tecidos de mais de 800 pacientes com PSP. Instituições médicas de todo o país normalmente enviam tecidos provenientes de autópsia ao banco de cérebro da Mayo para estudo da PSP.
A Clínica Mayo contribuiu com mais de 600 das 1.114 amostras de DNA de tecidos com PSP usadas na primeira metade do estudo. As demais instituições internacionais contribuíram com o restante.
Para buscar por genes de suscetibilidade, a equipe de pesquisa conduziu um estudo de associação aberta do genoma (GWAS — genome-wide association study), que examina as diferenças entre os genomas de pacientes com uma certa doença e os genomas de participantes de um grupo de controle sem a doença. Isso é feito através do exame de polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs — single nucleotide polymorphisms), que são variações da sequência de DNA que podem ocorrer em genes ou nas regiões não codificadas entre genes.
Da primeira vez, os pesquisadores determinaram a associação entre os genótipos em 531.451 SNPs no grupo de 1.114 amostras de DNA de tecidos com PSP e no sangue de 3.247 participantes do grupo de controle, que não tinham a PSP. Os resultados de SNPs, que encontraram, foram então testados em um segundo grupo: amostras de sangue de 1.051 pacientes vivos com PSP e amostras de sangue de 3.560 participantes do grupo de controle. Para essa fase do estudo, a Clínica Mayo de Flórida contribuiu com amostras de sangue de cerca de 200 pacientes com PSP.
Além de descobrir que pacientes com PSP tinham variantes em seus genes tau, o que era esperado, os pesquisadores também encontraram os três SNPs que parecem ser prováveis genes da PSP. Todos os três têm funções neurológicas. O gene MOBP é uma proteína associada à mielina, um material isolante que forma uma bainha que envolve o axônio dos nervos. Células gliais formam a mielina e essas células são afetadas na PSP. O gene STX6 está envolvido na reciclagem da membrana de um neurônio e a reciclagem de membranas tem implicações em diversas doenças neurodegenerativas, incluindo a Alzheimer, de acordo com Dennis Dickson. O terceiro gene, o EIF2AK3, está envolvido na tradução do RNA para proteína e ele dá sinal às células para parar de produzir proteínas, quando proteínas anormais começam a se acumular dentro das células, como elas fazem nos neurônios, quando a tau aumenta desordenadamente.
Variantes desses três genes também foram encontradas em duas populações de controle, mas eram significativamente mais altas nos pacientes com PSP (tanto nas amostras de tecidos cerebrais como nas amostras de sangue com PSP). Isso sugere que esses genes não causam a PSP, mas contribuem para a suscetibilidade da pessoa à doença, ele explica.
Não sabemos, com certeza, se esses SNPs estão precisamente nessas localidades genéticas, diz Dennis Dickson. "Se eles forem realmente genes de suscetibilidade à PSP, nós podemos concentrar nossa atenção nas variantes que tenham um impacto nessa doença, que poderão então ser exploradas terapeuticamente.
"Embora estejamos longe de descobrir qualquer tratamento novo, essa nova pesquisa é estimulante para pesquisadores que estão dedicados a buscar um entendimento para esse distúrbio trágico".
A PSP afeta até 50.000 pessoas nos Estados Unidos, a qualquer tempo — um décimo da incidência da doença de Parkinson.
Também trabalharam nesse estudo os neurologistas neurólogos Zbigniew Wszolek e Ryan Uitti da Clínica Mayo de Flórida. Os coautores principais do estudo são da Philipps-Universität, em Marburg, Alemanha; da Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh; do Children's Hospital de Filadélfia; da Justus-Liebig-Universitat de Giessen, Alemanha; e da Escola de Medicina da Universidade de Pensilvânia.
O estudo foi financiado pela "CurePSP/The Society for Progressive Supranuclear Palsy". Os autores da Clínica Mayo declaram não haver conflitos de interesse.
Para mais informações sobre tratamento da paralisia supranuclear progressiva (PSP) e outras doenças neurodegenerativas na Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, contate o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 904-953-7000 ou envie um email para intl.mcj@mayo.edu.
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A Clínica Mayo, entidade sem fins lucrativos, é um dos principais centros mundiais em tratamento de saúde, pesquisa e educação, para pessoas em todas as fases de sua vida. Para mais informações, em português, visite MayoClinic.org/portuguese e MayoClinic.org/news-portuguese.
Guta Bacelar
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