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Pare com o glúten

29 de Dezembro de 2011

JACKSONVILLE, Florida — Perda inexplicável de peso, ocorrências de anemia, hipoglicemia, erupções na pele, enxaquecas, náuseas, dores no estômago sem razão aparente e gestações difíceis, fadiga. Estes são alguns dos efeitos que a doença pode provocar quando não diagnosticada corretamente.

Segundo estudos da Mayo Clinic, a doença celíaca — reação do sistema imunológico a alimentos com glúten, é quatro vezes mais comum do que há 50 anos, afetando uma a cada 100 pessoas. O diagnóstico correto pode devolver o bem estar ao paciente.

Este foi o caso de Melanie Herreing, uma funcionária da própria Clinica Mayo, campus de Jacksonville, Flórida, que durante anos tratou cada uma dessas doenças, sem resultados.

Segundo estudos da Mayo Clinic, a doença celíaca — reação do sistema imunológico a alimentos com glúten, é quatro vezes mais comum do que há 50 anos, afetando uma a cada 100 pessoas. O diagnóstico correto pode devolver o bem estar ao paciente.

Os médicos pensaram inicialmente que o problema fundamental era uma doença autoimune, como o lúpus. Mas não era o caso.

Seus problemas, como dores inexplicáveis no estômago e fatiga, continuavam a aparecer. Isso, somado ao trabalho em tempo integral, as aulas de educação continuada e as obrigações com os filhos, a levou ao estresse.

Para lidar com essa situação, Melanie direcionou seus esforços para a busca de uma vida saudável. Começou a treinar para uma maratona e decidiu mudar sua dieta para alimentos integrais, sem gordura. "Troquei as batatas fritas industrializadas (potato chips) por roscas salgadas (pretzels), pão branco por pão de trigo integral não refinado, passei a tomar bebidas dietéticas e cortei o açúcar", ela conta. Mas os sintomas digestivos persistiram.

"Meus esforços para me tornar saudável só agravaram minha situação", ela diz. "Eu estava mal. A dor e a fadiga estavam me afetando tanto que eu preferia não almoçar porque, se o fizesse, me sentiria mal o resto do dia", conta.

Na Clínica Mayo, foi, então, submetida a endoscopias digestivas alta e baixa, exame do estômago e de tecidos do intestino delgado, para se determinar o que, exatamente, estava causando os problemas.

Quando acordou, após os procedimentos, ficou sabendo que a origem de anos de problemas de saúde, aparentemente sem conexão, era a doença celíaca.

Em pacientes com a doença celíaca, o glúten, uma proteína presente no trigo, cevada e centeio, provoca o ataque do sistema imunológico, danificando a estrutura vilosa da mucosa no intestino delgado. A vilosidade é um pequeno processo de protrusão vascular, que aumenta a área de superfície do intestino, o que facilita a absorção de nutrientes e a digestão.

O dano causado pelo sistema imunológico ao revestimento intestinal resulta, enfim, na perda de vilosidade da mucosa e em menor capacidade das células de absorver nutrientes vitais, diz o gastrenterologista da Clínica Mayo, o médico John Cangemi.

Essa doença apresenta sintomas diversos, como diarréia, distensão abdominal, perda de peso, anemia, perda de dentes, osteoporose prematura e grave ou uma inexplicável infertilidade.

A dificuldade, segundo John Cangemi, é que os sintomas da doença celíaca são variáveis e podem ser confundidos com os de outras doenças mais comuns, como a síndrome de intestino irritável. De fato, ele diz, não há sinais ou sintomas específicos da doença celíaca.

"Alguns estudos têm sugerido que, para cada pessoa que foi diagnosticada com a doença celíaca, há outras 30, provavelmente, que sofrem da enfermidade, sem que seja detectada", afirma o médico.

Uma visita ao gastrenterologista pode resultar em um diagnóstico preciso — através de um exame de sangue ou de uma endoscopia digestiva alta, para se examinar a vilosidade da mucosa. No caso de Melanie, a evidência se mostrou óbvia, assim que os médicos realizaram a endoscopia. "Disseram que uma estrutura vilosa normal se parece com um carpete luxuoso, enquanto, no meu caso, mais parecia um ladrilho", ela conta.

Obter um diagnóstico correto, finalmente, foi um alívio. Todavia, o tratamento não é tão simples como pode parecer. "Não é fácil fazer uma dieta sem glúten", diz John Cangemi. "Trigo, cevada e centeio são componentes de muitos tipos de alimentos, além de alguns medicamentos, doces e outros produtos. A pessoa pode, simplesmente, não se dar conta da presença deles", explica.

Melanie diz que ficou chocada quando descobriu como é difícil eliminar o glúten da alimentação. "Ele está em tudo, até nos doces que, por sinal, são o meu ponto fraco". Ela e sua família passaram a gastar um tempo enorme examinando rótulos de produtos alimentícios.

Mas, pelo menos agora já pode desfrutar as refeições com a família, ela afirma. "Notei imediatamente a diferença, quando eliminei o glúten de minha dieta. De repente, comecei a sentir fome, o que não sentia há muitos anos, porque, todas as vezes que comia alguma coisa, passava muito mal mais tarde. Mas, agora, sinto como se estivesse morrendo de fome durante anos", ela diz.

Experiência é importante para o diagnóstico da doença celíaca

Os pacientes com doença celíaca podem obter melhor resultados se consultarem médicos com experiência no tratamento dessa enfermidade.

Cerca de 1% da população dos Estados Unidos é diagnosticada com doença celíaca. "Com a mesma frequência que a doença passa despercebida em muitos exames médicos, os diagnósticos podem ser feitos sem comprovação suficiente, sujeitando os pacientes a uma dieta muito austera, por razões erradas", diz o gastrenterologista John Cangemi, especializado nessa doença. É necessário fazer uma biópsia para confirmar um caso de doença celíaca.

"Nós temos gastrenterologistas, cuja prática médica é primariamente focada em pacientes com doença celíaca", diz o médico. "Temos dietistas que ensinam os pacientes como administrar uma alimentação sem glúten", ele afirma.

O aspecto mais importante do tratamento é a dieta. Uma alimentação sem glúten, com muita frequência, alivia os sintomas da doença e restaura a aparência normal – ou quase normal – do intestino delgado. Mas, uma dieta sem glúten é difícil de seguir.

Para mais informações sobre tratamento da doença celíaca na Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, contate o Departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 904-953-7000 ou envie um email para intl.mcj@mayo.edu.

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Sobre a Mayo Clinic

A Clínica Mayo, entidade sem fins lucrativos, é um dos principais centros mundiais em tratamento de saúde, pesquisa e educação, para pessoas em todas as fases de sua vida. Para mais informações, em português, visite MayoClinic.org/portuguese e MayoClinic.org/news-portuguese.

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