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Cirurgia permite à paciente voltar a sorrir

Neuralgia do trigêmeo causa dor facial como um "choque elétrico"

29 de Dezembro de 2010

JACKSONVILLE, Florida — Imagine viver com um medo constante de, a qualquer momento, ser acometido por uma dor tão violenta, que melhor seria morrer. Pior ainda, sem saber a causa de tamanha dor ou quando pode atacar.

Por sete anos, essa foi a vida de Flocerfida Webb (ou Fida). Uma dor insuportável no lado direito do rosto, lhe tornava impossível fazer coisas simples como comer, beber ou mesmo sorrir. Mas, tão alarmante em sua vida, era não saber quando a dor poderia voltar a agredi-la.

"Era como um choque elétrico e doía tanto que eu queria gritar, mas não podia", conta Fida, 48, de Fernandina Beach, Flórida. "Tinha medo de fazer o que fosse, porque a dor poderia vir forte a qualquer momento. Não importava o que estivesse fazendo". Coisas tão simples, como o vento soprando em seu rosto ou um beijo de boa noite no marido, poderiam desencadear a dor, que começava em seu lábio superior e disparava para a têmpora direita.

Para uma mulher que adorava dançar, andar de motocicleta e nadar, a vida se tornou um desafio permanente. Trabalhar também se tornou cada vez mais difícil, porque simplesmente falar ao telefone podia induzir o início da dor.

Durante anos, ela se consultou com diversos profissionais de saúde. Um dentista considerou que a dor era causada por um distúrbio da articulação temporomandibular (ATM), que causa dor e uma sensibilidade anormal onde a mandíbula encontra o crânio. Uma amiga lhe sugeriu que marcasse uma consulta na Clínica Mayo. Depois da consulta com o neurologista William Cheshire, ela recebeu o diagnóstico correto: neuralgia do trigêmeo (ou neuralgia trigeminal).

Ataques disparados facilmente

A neuralgia do trigêmeo é um distúrbio do sistema nervoso, que afeta o nervo trigêmeo que, por sua vez, é responsável pela retransmissão de informações sensoriais no rosto e pelo controle dos músculos da mastigação. A neuralgia do trigêmeo causa dores intensas, penetrantes, no rosto. Os ataques podem ser disparados por praticamente qualquer coisa que toca o rosto ou que envolva movimentos da boca, explica o neurologista da Mayo.

"Mesmo uma estimulação branda do rosto, como escovar os dentes ou fazer a maquiagem, pode desencadear um golpe de dor martirizante", ele diz.

A neuralgia do trigêmeo afeta cinco em cada 100 mil pessoas e é mais comum entre aquelas com mais de 50 anos. As mulheres correm um risco ligeiramente maior do que os homens de desenvolver a doença. A dor sinaliza um distúrbio na função normal do nervo trigêmeo. Embora a causa nem sempre seja conhecida, em muitos casos a dor está associada ao fato de uma vaso sanguíneo, próximo à base do cérebro, colocar pressão sobre o nervo trigêmeo. Com menos frequência, um tumor pode comprimir o nervo trigêmeo.

Em muitos casos, a dor pode frustrar um diagnóstico exato durante anos. "É muito comum os pacientes procurarem um dentista, em vez de um neurologista, porque a dor parecer vir de um dente", diz William Cheshire.

Como a neuralgia do trigêmeo tende a desaparecer por algum tempo e, então, retornar repentinamente, "muitos pacientes convivem com o medo de ela voltar a atacar sem qualquer aviso prévio", diz o neurologista da Mayo. A neuralgia do trigêmeo também pode progredir com o tempo. Os pacientes podem experimentar inicialmente ataques mais curtos e brandos, que evoluem para acometimentos mais frequentes e mais longos de dores fortes.

Durante um vôo para visitar a família nas Filipinas, Fida sofreu um ataque que durou 35 minutos. "Me pareceu que foram horas. Em uma escala de um a 10 para a dor, essa foi de 20. Pensei que minha vida terminaria ali. Eu não queria viver mais", ela conta.

Medicamentos nem sempre resolvem o problema

Fida ficou feliz por, finalmente, seu problema haver sido diagnosticado e se submeteu, com muito entusiasmo, a um regime de medicação, para ajudar a limitar os ataques e controlar a dor. Porém, o tratamento começou a afetar seu fígado.

"Em alguns casos, a medicação pode causar a supressão da função da medula óssea, queda do nível de cálcio, reações alérgicas e, como foi o caso de Fida, dano ao fígado", explica o neurologista.

"Ficava sempre nervosa, ao pensar no que poderia ser feito, porque não queria continuar vivendo minha vida com esse tipo de dor", ela conta.

A cirurgia para pacientes com neuralgia do trigêmeo é feita há algum tempo, mas é, normalmente, um procedimento aberto e complexo. Chamada de descompressão microvascular (DMV) do nervo trigêmeo, a cirurgia exige a realização de uma abertura na parte de trás do crânio, para permitir ao cirurgião o acesso ao nervo. Mas, há outras opções.

O neurologista convidou seu colega na Mayo, o neurocirurgião Ronald Reimer, para ajudar a tratar de Fida. Juntos, discutiram as possibilidades de realização de um procedimento minimamente invasivo, conhecido como compressão percutânea com balão. "Esse é um procedimento breve e bem direcionado. Ele bloqueia as sensações de dor através do nervo trigêmeo e rende resultados excelentes", afirma Ronald Reimer.

Com os pacientes sob anestesia geral, os médicos inserem uma pequena agulha na face, que atinge a base do crânio, onde se localiza o nervo trigêmeo. Um cateter fino e flexível é preso a um balão e enfiado pela agulha.

"O balão é inflado temporariamente até atingir uma pressão específica e, então, desinflado e retirado. O resultado é o bloqueio da sensação de dor", diz o neurocirurgião. Os pacientes podem sentir uma sensação de dormência depois do procedimento. A Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, já realizou mais de 200 procedimentos de compressão com balão.

Ainda que nervosa pela cirurgia, Fida estava pronta. Se submeteu ao procedimento ambulatorial de meia hora em 28 de abril de 2010. O alívio da dor foi imediato e se viu em condições de voltar às suas atividades normais.

"A cirurgia foi um sucesso. Senti-me um pouco entorpecida por pouco tempo, mas agora posso sorrir, dar risadas e fazer coisas que antes não podia", conta Fida. Ela descobriu, então, os prazeres das pequenas coisas, como esfregar as faces, na manhã seguinte à cirurgia, sem se preocupar com a dor. "Estou muito agradecida à Clínica Mayo, por haver devolvido minha vida", ela declara.

Atualmente, Fida freqüenta uma academia de ginástica cinco vezes por semana e corre quase 5 quilômetros diariamente. Em breve, vai concluir seu curso para obter uma licença de motociclista.

Ela está ansiosa para sentir o vento batendo em seu rosto — sem sentir qualquer dor.

Para mais informações sobre tratamento de distúrbios neurológicos na Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, contate o Departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 904-953-7000 ou envie um email para intl.mcj@mayo.edu.

Sobre a Mayo Clinic

A Clínica Mayo é o primeiro e maior centro de medicina integrada do mundo. Médicos de todas as especialidades trabalham juntos no atendimento aos pacientes, unidos por um sistema e por uma filosofia comum, de que "as necessidades dos pacientes vêm em primeiro lugar". Mais de 3.700 médicos, cientistas e pesquisadores, além de 50.100 profissionais de saúde de apoio, trabalham na Clínica Mayo em Rochester (Minnesota), Jacksonville (Flórida) e Phoenix/Scottsdale (Arizona). Juntas, as três unidades tratam mais de meio milhão de pessoas por ano.

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Sobre a Mayo Clinic

A Clínica Mayo, entidade sem fins lucrativos, é um dos principais centros mundiais em tratamento de saúde, pesquisa e educação, para pessoas em todas as fases de sua vida. Para mais informações, em português, visite MayoClinic.org/portuguese e MayoClinic.org/news-portuguese.

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