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29 de Dezembro de 2010
JACKSONVILLE, Flórida — Foi uma grande decepção para os pesquisadores da Clínica Mayo, quando eles descobriram, há alguns anos, que as amostras de câncer anaplástico de tireóide (ATC — anaplastic thyroid cancer) que estavam usando em laboratório, para encontrar novas formas de tratamento para essa doença letal, eram provavelmente de algum outro tipo de câncer.
Ficou evidente, a seguir, que a situação em seu laboratório era comum em todo o mundo. Cerca de metade das linhas de células que, supostamente, deviam ser originárias de pacientes com esse tipo raro de câncer da tireóide eram, na verdade, de câncer de cólon ou melanoma.
Assim, com a cooperação de muitos pesquisadores de todo o país, os pesquisadores da Mayo decidiram criar, em laboratório, um novo conjunto de células de ATC, derivadas de tumores doados por pacientes.
Na edição online do Jornal de Endocrinologia Clínica e Metabolismo de 25 de agosto, os pesquisadores relatam a criação bem-sucedida de quatro novas linhas de células de ATC, cada uma delas com um conjunto diferente de mutações moleculares que provocam essa forma agressiva de câncer. A sobrevivência de pacientes com ATC é tipicamente curta: de três a quatro meses em média, de acordo com as conjecturas de diagnóstico e morte por ATC do presidente do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, William Rehnquist, de 2005.
Os pesquisadores estão compartilhando as novas células de ATC com outros pesquisadores que precisam delas, em diversas partes do mundo, diz um dos principais co-autores do estudo, John Copland, Ph.D., um biólogo da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, especializado em câncer.
"Como as linhas de células são imortais e podem viver para sempre, elas constituem um elemento crítico para a pesquisa. E um grande problema é a contaminação da linha de célula, pois ela leva à falsa identificação de tipos específicos de câncer e a conclusões incorretas sobre eles", diz o biólogo. "Nós adotamos altos padrões para a caracterização de novas linhas de células em níveis genômico e molecular, que pode retroceder ao tecido original do tumor", ele afirma.
O estudo mostra, em detalhes, as "pegadas" moleculares que ligam as mutações genéticas encontradas nos tumores dos pacientes às linhas de células derivadas desses tumores. Se surgir alguma dúvida no futuro, como se as linhas de células criadas recentemente foram contaminadas por outros tipos de câncer, os pesquisadores podem usar os dados da Clínica Mayo para confirmar a origem das células.
Isso é importante, dizem os pesquisadores, porque os avanços no tratamento do câncer dependem dos testes que são feitos, em primeiro lugar, nas linhas de células e, portanto, as linhas de células têm de ser puras. "Nós queremos testar medicamentos diferentes para cada linha de células, nas quais vias específicas são ativadas, para observar os efeitos", diz o endocrinologista Robert Smallridge, M.D., o outro co-autor principal do estudo. "Cada uma das combinações diferentes de anormalidades moleculares vai gerar um conjunto diferente de alvos potenciais, que poderão ser atacados com terapia medicamentosa", ele explica.
O endocrinologista acredita que, dentro de alguns anos, será possível analisar geneticamente cada tumor de pacientes com ATC, em tempo real, e prescrever medicamentos potenciais para seu perfil molecular. "Nenhum tumor se iguala a outro, mas, ao entender, através uma abordagem biológica de sistemas, as múltiplas vias que são ativas no câncer e, então, usar uma combinação de medicamentos que inibem essas vias simultaneamente, começaremos a fazer progresso na luta contra o câncer", afirma.
Essa é a essência do processo que conecta a pesquisa ao tratamento do paciente (bench-to-bedside therapy), de acordo com a principal pesquisadora do estudo, Laura Marlow, M.S.
Ela explica que o estudo não apenas resultou em desenvolvimento de linhas de células, um projeto que ela liderou, mas também testou cinco tipos diferentes de medicamentos nessas novas linhas de células, que podem trazer benefícios aos pacientes. Os pesquisadores descobriram que todos esses agentes, desde um agente, já aprovado, para baixar o nível de colesterol, a inibidores das transferases, em fase de testes, reativaram um gene supressor de tumor, chamado RhoB, possibilitando a interrupção do crescimento.
Os pesquisadores da Mayo, liderados por John Copland, haviam descoberto anteriormente que a função do gene RhoB estava desativada nas células com ATC, como também ocorre em alguns outros tipos de câncer. Robert Smallridge está conduzindo, no momento, um estudo clínico de fase I, para testar um agente que pode reativar a função supressora de tumor desse gene.
Como os tipos de câncer de tireóide são incomuns e o câncer anaplástico de tireóide é extremamente raro (são menos de 600 novos casos de ATC por ano nos EUA), Robert Smallridge solicita a cada paciente que se submete à cirurgia de câncer de tireóide na Clínica Mayo que autorize a retirada de uma amostra do tumor. Outros cirurgiões de outras partes do país têm enviado a Laura Marlow amostras de tumores, para ajudá-la em seu esforço para criar novas linhas de células para câncer de tireóide.
"Esse trabalho define a importância da colaboração entre as instituições, para coletar tecidos para a pesquisa de um tipo muito raro de câncer", diz John Copland.
Foram dois anos e muitas tentativas para criar as quatro novas linhas, usando as amostras de tumores enviadas por colaboradores, diz Laura Marlow. "É muito difícil fazer crescer e manter essas células, por causa da instabilidade cromossômica delas", ela explica. A pesquisadora teve de inferir uma nova fórmula para o meio em que essas células vivem, em seus recipientes de cultura, uma receita que é especial para esse tipo de câncer e que é reproduzida na publicação do estudo. O artigo também identifica vários testes genéticos e fenotípicos, que irão caracterizar de forma única cada linha de células, agora e no futuro, ela informa.
O estudo foi financiado em parte por verbas dos Institutos Nacionais de Saúde e Instituto Nacional do Câncer, pelo Comitê de Pesquisa da Clínica Mayo e pelo programa de Pesquisa de Câncer Bankhead-Coley do Departamento de Saúde da Flórida.
Para mais informações sobre tratamento de câncer da tireóide e outros tipos de câncer na Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, contate o Departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 904-953-7000 ou envie um email para intl.mcj@mayo.edu.
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A Clínica Mayo, entidade sem fins lucrativos, é um dos principais centros mundiais em tratamento de saúde, pesquisa e educação, para pessoas em todas as fases de sua vida. Para mais informações, em português, visite MayoClinic.org/portuguese e MayoClinic.org/news-portuguese.
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