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29 de Dezembro de 2010
JACKSONVILLE, Flórida — Pesquisadores do campus da Flórida da Clínica Mayo, afirmaram que a demência em vários pacientes com diabetes parece ser geralmente causada por doença vascular cerebral, enquanto que a demência que se desenvolve em pessoas sem diabetes é mais provavelmente associada ao depósito de placas no cérebro encontradas em pacientes com doença de Alzheimer.
Os achados foram apresentados durante a Conferência Internacional sobre a Doença de Alzheimer de 2010, realizada na semana de 14 de julho, em Honolulu, Havai, pela Associação da Alzheimer. Estes achados são resultado de estudo realizado com pacientes descendentes de mexicanos mas podem ser relevantes também para outros grupos, afirmaram os pesquisadores. Participaram também do estudo pesquisadores da Universidade da Califórnia.
"Esse estudo ajuda a entender o diabetes e a demência", afirmou o médico neurologista da Clínica Mayo Neill Graff-Radford, que apresentou estes achados durante a Conferência. "O estudo sugere que a demência vascular observada em diabéticos, que parece estar relacionada a uma doença dos pequenos vasos sanguíneos e ao derrame cerebral, pode provavelmente ser evitada se o desenvolvimento do diabetes for prevenido".
Os resultados estão de acordo com várias autópsias realizadas em pacientes com demência e diabetes, nos quais foram encontradas anormalidades vasculares associadas à demência, mas não foram encontradas as placas típicas da doença de Alzheimer, conforme o médico explica.
As descobertas indicam também que um exame de sangue experimental para o diagnóstico de desenvolvimento da Doença de Alzheimer pode ser mais preciso do que alguns estudos de pessoas com demência têm sugerido, porque esses estudos incluíram participantes com diabetes, segundo Graff-Radford. "Estamos propondo agora que os futuros estudos com esse teste devem considerar se o paciente tem ou não diabetes".
O teste é baseado em descobertas feitas por neurocientistas da Mayo e mede a proporção de dois tipos diferentes de proteínas beta-amilóide no sangue. As placas encontradas nos cérebros de pacientes com a doença de Alzheimer, durante as autópsias, surgiram quando a forma tóxica da beta-amilóide, conhecida como Aß42, começou a se depositar no cérebro.
O neurologista Graff-Radford e seus colegas descobriram anteriormente que, se a proporção da Aß42 para Aß40 no sangue era baixa, a Aß42 estava provavelmente sendo depositada no cérebro e a doença de Alzheimer começava a se desenvolver. Cinco estudos independentes confirmam essa hipótese, sendo que um deles revelou que o risco de desenvolver a doença de Alzheimer era até dez vezes maior nas pessoas com uma baixa proporção Aβ42/Aβ40. Três estudos adicionais não confirmaram esta hipótese e segundo Graff-Radford pode ser que esses estudos não tenham incluído pacientes diabéticos em número suficiente para distorcer os resultados.
As descobertas também fazem sentido sob o ponto de vista biológico, diz Graff-Radford. Tanto o hormônio insulina como as proteínas beta-amilóide são decompostas pela enzima degradante da insulina (IDE – insulin-degrading enzyme). Ele acrescenta que se o sangue contém insulina em excesso, como é o caso no diabetes, então a IDE decompõe preferencialmente a insulina em vez da amilóide. "Isso significa que deve haver níveis mais elevados da Aβ42 e da Aβ40 no sangue dos diabéticos", ele explica.
Essa pesquisa é um braço de um estudo em andamento e financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, o "Estudo sobre Envelhecimento de Latinos na área de Sacramento (SALSA — Sacramento Area Latino Study on Aging), que inclui 1.789 pessoas, principalmente americanos descendentes de mexicanos. Nesse estudo, os pesquisadores analisaram as proporções Aβ42/Aβ40 em 211 participantes que desenvolveram a demência e 403 pessoas que integraram o grupo de controle — participantes com similaridade em idade e sexo, que permanecem cognitivamente normais. Os pesquisadores descobriram que, entre as pessoas sem diabetes, somente a presença de baixa proporção Aβ42/Aβ40 foi associada à demência. Entre as pessoas com diabetes, a proporção Aβ42/Aβ40 não havia diminuído.
Esse estudo teve o apoio dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, da Fundação Americana de Assistência à Saúde e do Programa Robert e Clarice Smith e Abigail Van Buren para Pesquisa da Doença de Alzheimer.
Para mais informações sobre tratamento da doença de Alzheimer na Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, contate o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 904-953-7000 ou envie um email para intl.mcj@mayo.edu.
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A Clínica Mayo, entidade sem fins lucrativos, é um dos principais centros mundiais em tratamento de saúde, pesquisa e educação, para pessoas em todas as fases de sua vida. Para mais informações, em português, visite MayoClinic.org/portuguese e MayoClinic.org/news-portuguese.
Guta Bacelar
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