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Pesquisador da Mayo Clinic descreve futuros avanços no uso de "escópios" na detecção do câncer

29 de Dezembro de 2010

NOVA ORLEANS (EUA) — Da mesma forma que câmeras e televisores têm sido reinventados na última década, com grandes aperfeiçoamentos em matéria de óptica, nitidez e intensidade luminosa, os minúsculos "escópios" que os médicos usam para acessar órgãos e partes do sistema digestivo — e obter imagens deles — estão passando por avanços significativos.

NOTA SOBRE VÍDEO: Informações adicionais em áudio e vídeo, incluindo extratos de uma entrevista com o médico Michael Wallace descrevendo a pesquisa, estão disponíveis no Mayo Clinic News Blog. As informações podem ser acessadas pelos jornalistas para aproveitamento em suas reportagens. A senha de acesso é: wallaceddw.

Semana da Doença Digestiva de 2010

Poucas instituições de saúde nos Estados Unidos estão testando essa nova tecnologia óptica de endoscópios tão a fundo com os pesquisadores da Clínica Mayo. Os gastrenterologistas da Mayo estão submetendo diversos tipos de sonda high-tech a testes comparativos, para verificar qual deles detecta melhor o mais minúsculo pólipo pré-canceroso no cólon. Eles estão também testando outros "escópios" na prospecção de nódulos linfáticos fora dos pulmões, em busca de evidências de uma micrometástase — uma proliferação de células cancerosas, que não podem ser facilmente observadas. Eles estão tentando, além disso, encontrar maneiras de reduzir a necessidade de exames trabalhosos e dolorosos em pacientes com a síndrome "esôfago de Barrett".

"Podemos ver detalhes que eram inimagináveis há 10 anos", diz o gastrenterologista da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, Michael Wallace, M.D. "Com os sistemas mais novos, podemos ampliar uma imagem em até 1.000 vezes para examinar um ponto potencialmente problemático no cólon ou no esôfago. Isso nos permite prever que teremos, brevemente, a capacidade de fazer biópsias virtuais em pacientes — isto é, teremos a habilidade de dizer se uma lesão é pré-cancerosa, apenas por observá-la através de um 'escópio' — e, se não for, podemos deixá-la em paz. No entanto, podemos remover qualquer coisa que pareça suspeita, mesmo que levemente", afirma.

Michael Wallace lidera vários estudos clínicos destinados a testar os mais novos "escópios". Na "Semana da Doença Digestiva (DDW — Digestive Disease Week) de 2010", um encontro internacional anual de médicos e pesquisadores que atuam nas áreas de gastrenterologia, hepatologia, endoscopia e cirurgia gastrintestinal, ele vai discutir como esses "escópios" avançados podem potencialmente ajudar a prevenir ou detectar precocemente câncer do cólon, metástase de câncer do pulmão e câncer do esôfago.

As sondas são mais precisas, até agora, na realização de biópsias virtuais de pólipos do cólon. Uma equipe de pesquisa da Clínica Mayo, liderada por Michael Wallace, descobriu que um instrumento de imagem endoscópica, com um diâmetro de apenas um dezesseis avos de polegada, garante a maior precisão já conseguida na detecção de pequenos pólipos pré-cancerosos dentro da parede do cólon.

No estudo, 84 pacientes foram testados com três tipos diferentes de tecnologia, ao serem submetidos a uma colonoscopia. Duas dessas tecnologias — uso de luz branca regular e luz azul regular que realçam a circulação sanguínea — são consideradas o recurso padrão na maioria dos "escópios" de alta definição usados hoje em dia. Eles possibilitam ao médico mudar de uma fonte de luz para outra, para observar pequenos detalhes adicionais no tecido do cólon. A terceira tecnologia — o sistema de endomicroscopia confocal a laser baseada em sonda (pCLE — probe-based confocal laser endomicroscopy) — é o que há de mais avançado no momento e está sendo testada e usada na Clínica Mayo e umas poucas instituições médicas nos Estados Unidos.

Esse é um dispositivo à parte, que pode ampliar estruturas em 1.000 vezes, a um ponto em que se torna possível detectar mudanças pré-cancerosas em uma única célula — uma condição que pode indicar o desenvolvimento de um pólipo pré-canceroso.

Os pesquisadores descobriram que o sistema pCLE era o mais preciso para determinar se um pequeno pólipo (6 a 9 milímetros) era pré-canceroso ou não. Sua especificidade foi de 100%, o que significa que os pólipos que ele identificou como anormais eram, de fato, anormais. Todos os 145 pólipos encontrados nos pacientes foram examinados através dos três métodos e então removidos e examinados por um patologista, para verificar se eles eram benignos ou pré-cancerosos.

O gastrenterologista da Mayo diz que a sensibilidade do sistema pCLE foi de 91%. "Os pequenos pólipos benignos foram definidos corretamente como benignos em 91% dos casos pelo sistema pCLE", ele explica. "Nosso objetivo é elevar essa precisão, tanto quanto possível, para perto de 100%", declara.

Os pesquisadores estão trabalhando com uma sonda endoscópica para realizar biópsias virtuais. Como previsto por Michael Wallace, a sonda endoscópica será capaz de determinar se um pólipo é benigno — e, se esse for o caso, aquele pólipo pode ser deixado no cólon. Atualmente, todas as lesões são removidas durante uma colonoscopia e, posteriormente, examinadas. Mas, cerca da metade dos pólipos removidos são, no final das contas, considerados inofensivos. E esse procedimento adiciona tempo, custos e possíveis riscos de efeitos colaterais às colonoscopias de rotina, afirma o médico.

O uso conjunto de três técnicas de imagem permite a identificação de lesões suspeitas em pacientes com esôfago de Barrett.

Na Clínica Mayo, a pesquisa de Michael Wallace também tem mostrado que o sistema pCLE pode reduzir o número de biópsias, feitas normalmente, em casos de esôfago de Barrett, uma síndrome em que o tecido que reveste o esôfago é substituído por um tecido que é similar ao revestimento do intestino — e que pode, então, transformar-se em câncer.

Para descartar a possibilidade de desenvolvimento de câncer, os médicos normalmente fazem uma biópsia a cada 10 centímetros do esôfago, em pacientes com síndrome de Barrett, para detectar a mesma espécie de mudanças pré-cancerosas que ocorrem no cólon. Normalmente, apenas uma entre 100 amostras de biópsias do esôfago apresenta uma lesão que seja efetivamente pré-cancerosa, nos exames feitos posteriormente por patologistas, diz Michael Wallace.

Em um esforço da comunidade científica para verificar a melhor maneira de analisar o esôfago, a Clínica Mayo contribuiu com o maior número de pacientes com esôfago de Barrett para um estudo internacional destinado a testar o sistema de imagem por pCLE. Os resultados serão apresentados durante a Semana da Doença Digestiva. Michael Wallace é o autor sênior do estudo, cujas descobertas serão apresentadas pelo pesquisador principal, o médico Prateek Sharma, M.D., do Centro Médico da Universidade de Kansas, EUA.

Os 97 pacientes participantes do estudo foram examinados através de um endoscópio padrão, com luz branca e luz azul, e, posteriormente, usando-se o sistema pCLE. Um total de 718 pontos nos organismos dos pacientes, escolhidos aleatoriamente, foram examinados e 138 lesões suspeitas foram encontradas. Os pesquisadores descobriram que as três tecnologias diferentes, quando usadas uma por vez, detectaram 85% das mudanças pré-cancerosas; uma combinação de luz branca com luz azul resultou na identificação de 92% das lesões; quando adicionaram o pCLE à prospecção, 100% das lesões pré-cancerosas foram identificadas.

"Conseguimos comprovar, então, que a adição do sistema pCLE aos exames com endoscópio padrão nos dá a habilidade de identificar todas as lesões suspeitas nos pacientes", diz Michael Wallace. "É o caso de simplesmente usar todos eles na prática clínica. A luz branca e a azul são parte de um endoscópio e o dispositivo pCLE pode ser adicionado ao 'escópio'. Nossa esperança é de que, no futuro, não iremos mais precisar remover tantas amostras de tecido dos pacientes e nos focar apenas naquelas que realmente tenham um potencial de se tornarem um câncer. Nosso 'escópio' combinado pode fazer isso e nossa esperança é a de que isso irá mudar o tipo de prospecção que os pacientes de esôfago de Barrett têm de enfrentar", afirma.

Os "escópios" minimamente invasivos e testes moleculares podem realizar buscas em pacientes com câncer de pulmão, para se verificar evidências de possíveis disseminações do câncer para os nódulos linfáticos.

O câncer de pulmão é a causa de morte mais comum, por câncer, nos Estados Unidos. O que de melhor pode acontecer a um paciente é que o câncer seja detectado e tratado antes de se espalhar para fora dos pulmões. Determinar se um paciente diagnosticado com câncer de pulmão já está com nódulos linfáticos malignos próximos aos pulmões — o primeiro lugar para onde se propagam, normalmente — tem sido sempre muito difícil. Mesmo depois de esses nódulos linfáticos mediastinais haverem sido removidos, examinados, e que a área seja determinada como livre de câncer, a doença ainda costuma voltar, em 30% a 50% dos casos. Se o câncer já se espalhou ou não, faz uma grande diferença no tratamento de pacientes.

Pesquisadores da Clínica Mayo, em trabalho conjunto com cientistas da Universidade Médica de Carolina do Sul, encontraram anteriormente um painel de cinco marcadores — moléculas expressadas apenas em células cancerosas do pulmão — que podiam identificar micrometástase nos nódulos linfáticos. A micrometástase é a propagação do câncer, que é tão pequeno que é difícil de ver através de qualquer sistema atual de imagem ou de tecnologia patológica. Eles descobriram em um de seus primeiros estudos que a endoscopia guiada por ultra-som, usada na biópsia dos nódulos linfáticos, combinada com uma análise em tempo real dos marcadores nos nódulos, detectou evidências de micrometástase em cerca de 20% dos nódulos linfáticos que haviam sido considerados sem câncer por exames patológicos.

O exame é minimamente invasivo e é feito antes da cirurgia, explica Michael Wallace, que liderou essa pesquisa. O "escópio" é levado esôfago abaixo e, com a ajuda de ultra-som, guiado até os nódulos mediastinais. Uma vez lá, uma agulha fina remove uma amostra minúscula de nódulo do tecido. Michael Wallace e uma equipe de médicos e pesquisadores têm comprovado que os pacientes, cujos nódulos linfáticos apresentaram evidências moleculares de micrometástase, tiveram taxas de sobrevivência significativamente pior do que os pacientes cujos nódulos não expressaram aquelas moléculas.

As descobertas sugerem que essa tecnologia, intitulada EUS-FNA (endoscopic ultrasound–fine needle aspiration — ultra-som endoscópico-aspiração por agulha fina), pode ajudar os médicos a decidir que tipo de terapia devem aplicar nos pacientes, cujos nódulos linfáticos mostram propagação do câncer.

"Pode ser melhor administrar nesses pacientes uma quimioterapia e radiação, antes da cirurgia", afirma o médico. "Esse será o objeto de nosso próximo estudo", informa.

Sessões curtas de treinamento devem ser o suficiente para os médicos aprenderem como interpretar as imagens produzidas pelo pCLE — e isso sugere que a tecnologia deve ser amplamente usada.

Não importa quão precisa a sondagem por pCLE (descrita acima) possa ser na prospecção do cólon em busca de pólipos pré-cancerosos, se a maioria dos gastrenterologistas acharem o dispositivo difícil de usar e, nesse caso, o instrumento vai permanecer na prateleira e não vai beneficiar os pacientes, afirma Michael Wallace. Por essa razão, ele e sua equipe de pesquisadores decidiram verificar a que tipo de curva de aprendizagem os médicos, que nunca trabalharam com o sistema pCLE, precisam se submeter, antes de poder usá-lo.

Em uma pequena experiência, eles ensinaram a um grupo de 11 médicos como interpretar 20 sequências de vídeo tomadas por pCLE de pólipos benignos e pré-cancerosos. "Desde que o pCLE é uma ferramenta de imagem de alta definição, nós precisávamos saber se aqueles médicos poderiam interpretar corretamente as imagens que lhes foram fornecidas", explica Michael Wallace.

Os médicos foram então testados em 76 novas sequências de vídeo, tomadas de 54 pacientes. Depois de ver 50 imagens, o grupo teve, em média, um nível de precisão de 86%, o que foi similar ao conseguido pelos médicos altamente experientes, conta o pesquisador. "A habilidade de interpretar essas imagens é conseguida rapidamente e a tecnologia pode ser adotada de uma forma relativamente fácil na prática geral dos médicos", ele diz.

Para mais informações sobre tratamento de câncer e de doenças do sistema digestivo na Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, contate o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 904-953-7000 ou envie um email para intl.mcj@mayo.edu.

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Sobre a Mayo Clinic

A Clínica Mayo, entidade sem fins lucrativos, é um dos principais centros mundiais em tratamento de saúde, pesquisa e educação, para pessoas em todas as fases de sua vida. Para mais informações, em português, visite MayoClinic.org/portuguese e MayoClinic.org/news-portuguese.

Contacte Informações

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