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Em mulheres com câncer em uma das mamas, IRM detecta tumores na outra mama, dizem pesquisadores da Mayo Clinic

29 de Dezembro de 2010

JACKSONVILLE, Flórida — Mulheres na pós-menopausa, incluindo aquelas com mais de 70 anos de idade, que tiveram câncer em uma das mamas diagnosticado recentemente, apresentam incidências mais altas de detecção de câncer na outra mama, quando se submetem a exame de imagens por ressonância magnética (IRM), em comparação com as mulheres na pré-menopausa, dizem pesquisadores da Clínica Mayo em Jacksonville, Flórida.

Os pesquisadores descobriram que 3,8% das 425 mulheres com câncer em apenas uma mama, diagnosticado em exames clínicos ou mamográficos, também tinham câncer na outra mama, detectado apenas por IRM — todas elas estavam na pós-menopausa. Para essas mulheres, detectar e tratar o câncer nas duas mamas ao mesmo tempo deve resultar em menores custos, menos estresse e, possivelmente, menor toxicidade, problemas que poderiam decorrer de um tratamento posterior de câncer na outra mama, depois que fosse descoberto, dizem os pesquisadores na edição de março/abril do The Breast Journal.

Foi particularmente interessante para os pesquisadores descobrir que as pacientes com mais de 70 anos apresentaram uma incidência mais alta de câncer na outra mama detectado por IRM do que as pacientes mais novas no estudo. Exames de IRM detectaram câncer na outra mama em 5,4% das 129 mulheres mais velhas incluídas no estudo.

"Nossas descobertas não são realmente surpreendentes porque sabemos que o risco de câncer de mama aumenta com a idade", diz o principal pesquisador do estudo, Johnny Ray Bernard Jr., M.D., oncologista de radiação da Clínica Mayo de Jacksonville. "As mulheres em idade mais avançada, mas com boa saúde, certamente se beneficiam da detecção precoce do câncer. Assim, um exame de IRM na mama aparentemente sem câncer deve ser considerado por todas as mulheres na pós-menopausa, com câncer já diagnosticado em uma das mamas", ele afirma.

Desde 2003, a Clínica Mayo de Jacksonville realiza exames de IRM das duas mamas em mulheres com câncer em uma das mamas já diagnosticado. Nesse estudo, os pesquisadores da Mayo fizeram uma análise retrospectiva dos históricos médicos de 425 mulheres, que foram submetidas a exames bilaterais de IRM das mamas, entre 2003 e 2007. O objetivo era determinar a prevalência de câncer "contralateral" detectado por IRM, mas não localizado por mamogramas ou exames clínicos das mamas. A mama contralateral é a oposta àquela em que o câncer foi detectado anteriormente.

Eles concluíram que o fato de a mulher estar na pós-menopausa era o único indicador estatisticamente significativo de câncer contralateral detectado por IRM. Em 72 das 425 mulheres, o exame de IRM detectou uma lesão suspeita. Biópsias subsequentes mostraram que 16 (22%) dessas 72 mulheres tinham câncer de mama contralateral (estágio 0-1) que não havia sido detectado por métodos típicos de exame. Das 16 mulheres com diagnóstico de câncer de mama contralateral, sete tinham mais de 70 anos.

Os pesquisadores empreenderam o estudo, eles dizem, porque não tinham conhecimento de qualquer estudo publicado na literatura médica, que tenha verificado o uso de IRM para exame de câncer de mama contralateral em mulheres com câncer de mama já diagnosticado, que tenha incluído uma análise de mulheres com mais de 70 anos.

Faz sentido estudar o caso de mulheres dessa idade, eles afirmam. Estudos têm mostrado que exames de IRM da mama apresentam uma taxa de detecção mais alta de câncer do que exames clínicos da mama e mamografias apenas, no caso de mulheres com alto risco de desenvolver câncer de mama, lembra Johnny Bernard Jr. Ele acrescenta que mulheres já diagnosticadas anteriormente com câncer de mama correm um risco de dois a seis vezes maior de desenvolver um câncer de mama contralateral secundário, em comparação com mulheres na faixa média de risco. "Portanto, a combinação de idade mais avançada com histórico pessoal de câncer de mama possivelmente torna as mulheres com mais de 70 anos, com câncer em uma das mamas já diagnosticado anteriormente, mais propensas a desenvolver um câncer de mama contralateral", ele afirma.

O pesquisador reconhece que o uso rotineiro de IRM da mama em todas as pacientes com um histórico de câncer de mama, em um diagnóstico inicial, é uma prática controvertida, tanto como seu uso em pacientes mais velhas. Mas, para ele, as descobertas desse estudo podem dar maior clareza ao debate, porque elas sugerem que pacientes na pós-menopausa apresentam uma prevalência maior de câncer de mama contralateral, que só é identificado por exames de IRM — e não por mamogramas ou exames físicos.

"Isso pode ter um impacto nos custos de tratamento de saúde, por se limitar os exames de IRM aos grupos mais propensos a apresentar taxas maiores de detecção, tais como as mulheres na pós-menopausa incluídas no estudo. E também pode reduzir custos ao se tratar o câncer nas duas mamas, ao mesmo tempo, em vez de se realizar tratamentos potencialmente caros e tóxicos por uma segunda vez — isto é, depois que o câncer de mama contralateral seja finalmente detectado por um mamograma ou exame físico", afirma o pesquisador.

Os pesquisadores declaram ainda que não deveria haver limitação de idade para o uso de exames de IRM nas pacientes de câncer de mama. "Nós sentimos, realmente, que o tempo de vida é subestimado para esse grupo de idade mais avançada", ele afirma.

Nenhum financiamento foi destinado a esse estudo.

Para mais informações sobre tratamento de câncer de mama na Clínica Mayo em Jacksonville, Flórida, contate o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 904-953-7000 ou envie um email para intl.mcj@mayo.edu.

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Sobre a Mayo Clinic

A Clínica Mayo, entidade sem fins lucrativos, é um dos principais centros mundiais em tratamento de saúde, pesquisa e educação, para pessoas em todas as fases de sua vida. Para mais informações, em português, visite MayoClinic.org/portuguese e MayoClinic.org/news-portuguese.

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