• Print
  • Share
close

Share this on...

Share this site with others using one of these sharing tools.

 

Link to this article

To link to this article, paste this block of HTML code onto your webpage.

Guidelines for sites linking to mayoclinic.org

Mayo Clinic revela que o controle das inflamações cerebrais pode ajudar a remover placas amilóides do cérebro, que podem desencadear a Doença de Alzheimer

29 de Outubro de 2009

JACKSONVILLE, Flórida — Em uma surpreendente reversão de uma crença consagrada dos cientistas, pesquisadores da Clínica Mayo, em Jacksonville, Flórida, descobriram que uma inflamação cerebral não é o gatilho que dispara a formação de depósitos de amilóide no cérebro e o desenvolvimento da doença de Alzheimer.

Na verdade, a inflamação ajuda a desobstruir o cérebro dessas placas amilóides nocivas, no início do desenvolvimento da doença, conforme comprovado em estudos com camundongos que foram predispostos ao distúrbio, dizem os pesquisadores na versão online do FASEB Journal.

"Isso é oposto ao que muita gente que estuda a doença de Alzheimer acreditava — incluindo nosso grupo de pesquisa", diz o pesquisador principal do estudo Pritam Das, Ph.D., professor assistente do Departamento de Neurociência da Mayo. "E o estudo também sugere que podemos tirar proveito do próprio sistema imunológico do cérebro, fazendo com que as células imunes removam as placas amilóides ali depositadas, protegendo, assim, o cérebro contra os efeitos nocivos dessas placas", ele afirma.

O estudo teve o objetivo de testar a crença largamente aceita de que uma inflamação no cérebro aumenta a produção e a formação de uma proteína tóxica, conhecida como beta-amilóide (Aβ). Um aglomerado denso dessa proteína é a marca patológica distintiva da doença de Alzheimer.

"A crença era de que, quando as células imunológicas do cérebro (micrologia) são ativadas, depois da formação inicial das placas amilóides, a inflamação que se segue estimularia o mecanismo das células do cérebro a produzir mais a proteína Aβ, o que levaria a mais inflamações", explica o pesquisador. "A ativação crônica das células imunológicas resultaria em um ciclo de realimentação de reforço próprio, que promoveria mais e mais depósitos de Aβ e inflamações, levando, com o tempo, ao mau funcionamento e à morte dos neurônios do cérebro", explica.

Apesar de que essa idéia, que provém predominantemente de estudo de células em laboratórios, ter sido aceita pela comunidade científica, os pesquisadores da Clínica Mayo desenvolveram uma forma de testá-la em um organismo vivo – e esperavam chegar ao mesmo resultado.

"Iniciamos esses estudos, usando nosso novo modelo in vivo, para confirmar se o fato de induzirmos a inflamação no cérebro iria, de fato, exacerbar a doença", explica o pesquisador.

Os pesquisadores usaram uma técnica conhecida como "Transgênese Somática Cerebral" para aumentar a expressão da Interleucina-6 (IL-6), da família as citocinas, que estimula uma resposta imune inflamatória nos cérebros de camundongos novos, predispostos ao desenvolvimento, progressivo com o envelhecimento, de placas amilóides. Essa tecnologia poderosa permite aos pesquisadores provocar a expressão de qualquer gene em partes específicas do corpo, ao juntar o gene a vírus Adeno-associados, que são inertes. Dessa maneira, eles podem estudar a função de qualquer proteína no cérebro e ainda testar o seu potencial uso terapêutico.

Eles descobriram que a IL-6 provocou inflamação em todo o cérebro e, assim, esperavam observar uma grande formação de placas, além de danos aos neurônios do cérebro. "Em vez disso, para nossa surpresa, descobrimos que a inflamação impediu a formação de placas e removeu toda e qualquer placa que estava lá", disse o pesquisador.

Em vista desse resultado inesperado, eles fizeram experimentos adicionais, usando estratégias diferentes. "Primeiro, nós expressamos a IL-6 nos cérebros de camundongos recém-nascidos, que ainda iriam desenvolver quaisquer placas amilóides e, depois, expressamos a IL-6 nos cérebros de camundongos com patologia de placa preexistente", ele conta. "Em ambos os casos, obtivemos resultados semelhantes: a presença da IL-6 leva à remoção das placas amilóides do cérebro", afirma.

Os pesquisadores realizaram, então, experimentos para determinar como as placas amilóides eram removidas do cérebro. As análises deles revelaram que a inflamação cerebral induzida pela IL-6 levou as células microgliais a removerem as placas amilóides do cérebro. As células microgliais fazem isso por fagocitose. "Elas engolem a placa, que elas 'vêem' como uma invasora externa, e as desintegram", diz o médico Ph.D., Pritam Das. Os pesquisadores também descobriram que as células microgliais ativadas estavam bem apegadas às placas e expressaram proteínas que ajudam na remoção das placas amilóides do cérebro.

O pesquisador considera a hipótese de que a inflamação remove placas no início do desenvolvimento da doença de Alzheimer, mas, em determinado ponto, a produção contínua de aglomerados de amilóides no cérebro supera a capacidade das células microgliais de realizar o seu trabalho. Nesse ponto, a inflamação, ativada cronicamente pela presença da placa amilóide, pode produzir seus próprios efeitos doentios na função do cérebro.

"De fato, pode ser factível manipular de forma temporária e seletiva as células microgliais, para alterar as placas amilóides de uma maneira que seja eficaz e tolerável", ele diz. "No entanto, em vista de que uma inflamação crônica pode ser prejudicial após anos de ataque ofensivo, qualquer intervenção baseada na ativação do sistema imunológico do cérebro deve, claramente, encontrar um ponto de equilíbrio entre os efeitos neuroprotetivos e os neurotóxicos", adverte o médico. "Precisamos estudar esse fenômeno mais a fundo e, se estivermos certos, ele pode trazer implicações não apenas para o tratamento da doença de Alzheimer, mas também para outros distúrbios neurodegenerativos, caracterizados pela formação de proteínas no cérebro, tais como a doença de Parkinson", afirma.

O estudo foi financiado por verbas da Fundação Americana de Assistência à Saúde (AHAF), da Clínica Mayo e dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH).

Para mais informações sobre tratamento da doença de Alzheimer e outros distúrbios neurodegenerativos na Clínica Mayo em Jacksonville, Flórida, contate o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 904-953-7000 ou envie um e-mail para intl.mcj@mayo.edu.

###

Sobre a Mayo Clinic
A Clínica Mayo é o primeiro e maior centro de medicina integrada do mundo. Médicos de todas as especialidades trabalham juntos no atendimento aos pacientes, unidos por um sistema e por uma filosofia comum, de que "as necessidades dos pacientes vêm em primeiro lugar". Mais de 3.300 médicos, cientistas e pesquisadores, além de 46.000 profissionais de saúde de apoio, trabalham na Clínica Mayo, que tem unidades em Rochester (Minnesota), Jacksonville (Flórida) e Scottsdale/Phoenix (Arizona). Juntas, as três unidades tratam mais de meio milhão de pessoas por ano.

###

Sobre a Mayo Clinic

A Clínica Mayo, entidade sem fins lucrativos, é um dos principais centros mundiais em tratamento de saúde, pesquisa e educação, para pessoas em todas as fases de sua vida. Para mais informações, em português, visite MayoClinic.org/portuguese e MayoClinic.org/news-portuguese.

Contacte Informações

Guta Bacelar
305-598-0125
gbacelar@bellsouth.net

  • Print

Find Mayo Clinic on


Terms of Use and Information Applicable to this Site
Copyright ©2001-2012 Mayo Foundation for Medical Education and Research. All Rights Reserved.

.