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As maratonas da médica Edith Perez

21 de Setembro de 2009

A vida dessa especialista em câncer de mama, líder mundial em pesquisas para combater a doença, se divide entre o tratamento de pacientes, as pesquisas, as apresentações em eventos científicos em todo o mundo e a publicação de seus estudos.

Ela se lança, assim, em várias corridas, em sua luta contra o câncer de mama, sendo as mais importantes: a maratona para encontrar novos tratamentos para ajudar as pacientes com essa doença e a "Maratona Nacional para Lutar contra o Câncer de Mama" (26.2 with Donna), que é disputada cada fevereiro, em Jacksonville, Flórida, com a participação de algumas de suas pacientes que triunfaram, com a ajuda dela, no combate ao câncer de mama (ver quadro sobre a maratona).

O que faz com que uma especialista como a médica Edith Perez lute contra o câncer em todas as suas frentes?

A resposta é que essa hematologista e oncologista, diretora do Programa de Câncer de Mama da Clínica Mayo, em Jacksonville, Flórida, sente um profundo amor pelo que faz. Ela mesma contou, há algum tempo, um fato que a motivou a seguir essa corrida de longa distância: durante a noite, quando ela era ainda uma médica residente, ela solicitou a um médico autorização para transferir uma paciente de câncer de mama para a unidade de tratamento intensivo, onde ela trabalhava à época. O médico reprovou o pedido, com o argumento de que não queria ocupar uma cama com uma paciente que iria morrer, de qualquer forma. "Ainda me lembro dessa noite, quando me dei conta de que deveria fazer alguma coisa para ajudar a essa gente", ela contou, em uma entrevista para o "The Florida Times-Union", de Jacksonville, Flórida.

Ela entrou na Clínica Mayo, em Rochester, Minnesota, há 14 anos e, atualmente, trabalha na Clínica Mayo, em seu campus de Jacksonville, Flórida. No campus da Flórida, ela liderou inúmeros estudos dedicados a descobrir novas terapias para o tratamento de pacientes com câncer de mama, além de promover um lado mais humano e mais positivo na luta contra a doença.

O reconhecimento mundial de seu trabalho veio em 2005, quando ela liderou um estudo que comprovou a eficácia de um medicamento contra a recorrência de células cancerosas. Os resultados mostraram que o risco de recorrência se reduzia em 52% nas pacientes com câncer HER2 positivo tratadas com trastuzumab (Herceptin) e com quimioterapia, de forma combinada, em comparação com o tratamento só com quimioterapia.

Atualmente, ela se encontra envolvida em inúmeros estudos, que exploram o uso de novos agentes terapêuticos no tratamento e prevenção do câncer de mama. Também desenvolveu pesquisas para avaliar o rol de marcadores genéticos em desenvolvimento e a agressividade do câncer de mama.

Um desses estudos é o ALTTO, em andamento há um ano e do qual participam 8 mil mulheres de todo o mundo, incluindo o Brasil e outros países da América Latina. O estudo foi dividido em fases distintas e está investigando combinações diferentes de tratamento. O estudo pesquisa, por exemplo, o uso do Tykerb (lapatinib), tanto só como em combinação com o Herceptin. "O Tykerb é mais cômodo para uso, porque é uma pastilha, o que torna as coisas mais fáceis para as pacientes. Pensamos que os resultados poderão ser conhecidos em três anos", diz a médica (ver quadro sobre o ALTTO).

No entanto, a realização do estudo completo deverá se estender por 14 anos. É uma corrida de longa distância, mas isso não é um obstáculo para uma especialista incansável na busca de novas alternativas de tratamento e que viaja por todo o mundo para disseminar novos conhecimentos adquiridos e para estimular mais especialistas e pessoas a aderirem à causa.

Para Edith Perez, a época em que se tratava o câncer de uma forma generalizada acabou. "A realidade criada por novos estudos e as promessas da genômica nos permitem partir para terapias individualizadas. A compreensão da base molecular do câncer de mama nos leva a explorar novos flancos na luta contra a doença e isso possibilita a aplicação de novas estratégias de tratamento melhorados. Além disso, com a identificação de biomarcadores da doença, é possível selecionar o tratamento mais apropriado para cada paciente", ela afirma.

Ainda que ela se entregue incansavelmente à busca de novos tratamentos e curas do câncer de mama, ela não deixa de lado a prevenção e tudo o que está relacionado à conscientização das mulheres sobre a doença. Esse é um dos muitos desafios de quem é líder nessa área.

Comentários da médica Edith Perez

Pergunta: Pensando nas milhares de mulheres que sofrem com essa doença e em suas famílias, que coisas, em todos esses anos de pesquisa, de vivência com suas pacientes e com especialistas de todo o mundo, compartilharia com elas?

Edith Perez: Existem muitos avanços que foram levados a cabo nos últimos anos, incluindo a identificação das maneiras de reduzir o risco de câncer de mama (como a manutenção de um peso saudável, evitar o abuso crônico do álcool, exercício regular), os aperfeiçoamentos do diagnóstico e dos tratamentos. Isto é, de uma forma geral, a taxa de sobrevivência a essa doença aumentou, embora ainda haja trabalho a ser realizado.

Pergunta: Na melhor das hipóteses, neste momento, muitas mulheres estão vivendo suas próprias maratonas, em uma sociedade que não tem ajudado muito a propagar o conceito de que o câncer já não é sinônimo de morte. Que conselho ou mensagem poderia dar a elas, suas famílias e à sociedade?

Edith Perez: As coisas estão melhorando continuamente, o que mantém alta a nossa esperança. Precisamos todos nos envolver na educação, em participação em discussões, na oferta de bom atendimento médico e nas pesquisas.

Pergunta: E o que pode ser feito para estimular novas pesquisas, em sua opinião?

Edith Perez: A pesquisa está se focando na identificação das diferenças entre as células dos tumores e as células normais, o que pode permitir aos médicos tomar melhores decisões sobre quem necessita de tratamento médico e que tipos de tratamento podem ser os melhores para cada pessoa.

Pergunta: E quanto à prevenção? Além da mamografia e da ecotomografia, há novidades sobre as quais as mulheres deveriam ter conhecimento? Seria preciso convencer as mulheres a fazerem a primeira mamografia em uma idade mais tenra do que a estabelecida hoje, devido ao aumento do câncer de mama entre mulheres cada vez mais jovens?

Edith Perez: A idade apropriada para a maioria das mulheres iniciar o controle do câncer de mama através de mamografias rotineiras continua sendo de 40 anos. Para alguns grupos de alto risco (de desenvolver a doença), outras modalidades de exames, como o MRI (imagens de ressonância magnética) são recomendáveis. O ultra-som não é um bom teste de controle, se utilizado isoladamente, porém pode ser usado em conjunto com a mamografia em algumas pacientes.

Para mais informações sobre tratamento de câncer de mama na Clínica Mayo, em Jacksonville, Flórida, contate o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone
904-953-7000 ou envie um e-mail para intl.mcj@mayo.edu.

Quadro sobre a maratona "26.2 with Donna 2010"

A próxima Maratona Nacional contra o Câncer de Mama (26.2 with Donna) será realizada em 21 de fevereiro de 2010, um domingo. Essa maratona, que será realizada pela terceira vez, é a única que destina todos os recursos arrecadados a um fundo de combate ao câncer de mama.

Os beneficiários são:

  • "The Donna Foundation", que se dedica a ajudar mulheres com câncer de mama. Desde que foi fundada, ela deu apoio a mais de 2.200 mulheres e homens.
  • "Mayo Clinic": A Fundação decidiu doar a maior parte do que é arrecadado à Clínica Mayo, para pesquisas e para a Clínica Multidisciplinar do Câncer de Mama, que se especializa na detecção e tratamento do câncer de mama (70% dos fundos arrecadados vai para a Clínica Mayo e 30% vai para a "Donna Foundation".
  • A segunda maratona, realizada em fevereiro de 2009, arrecadou US$ 708.095.00 Participaram mais de 6.000 corredores e praticantes de marcha, provenientes de todos os 50 estados dos EUA e de 15 países.

A fundadora da maratona, Donna Deegan, sobreviveu ao câncer por três vezes. Ela é apresentadora do noticiário da tarde das emissoras de televisão da Gannett Broadcasting afiliadas à NBC e ABC de Jacksonville, Flórida. É uma ávida corredora de maratonas, completando muitas delas após haver sido diagnosticada com câncer.

Para mais informações: www.breastcancermarathon.com.

Quadro sobre o estudo "ALTTO"

  • 8 mil mulheres com câncer de mama HER2+ removíveis, tratadas com quimioterapia previamente. O grupo é submetido a quatro formas de terapia:
    1. Com trastuzumab por um ano;
    2. Com lapatinib por um ano;
    3. Primeiro com trastazumab e depois com lapatinib;
    4. Com trastuzumab combinado com lapatinib.

O estudo "ALTTO" está em andamento em diversos centros, selecionados em todo o mundo, e inclui uma coleta obrigatória de tecido, que é congelado.

Sobre a Mayo Clinic

A Clínica Mayo é o primeiro e maior centro de medicina integrada do mundo. Médicos de todas as especialidades trabalham juntos no atendimento aos pacientes, unidos por um sistema e por uma filosofia comum, de que "as necessidades dos pacientes vêm em primeiro lugar". Mais de 3.300 médicos, cientistas e pesquisadores, além de 46.000 profissionais de saúde de apoio, trabalham na Clínica Mayo, que tem unidades em Rochester (Minnesota), Jacksonville (Flórida) e Scottsdale/Phoenix (Arizona). Juntas, as três unidades tratam mais de meio milhão de pessoas por ano.

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Sobre a Mayo Clinic

A Clínica Mayo, entidade sem fins lucrativos, é um dos principais centros mundiais em tratamento de saúde, pesquisa e educação, para pessoas em todas as fases de sua vida. Para mais informações, em português, visite MayoClinic.org/portuguese e MayoClinic.org/news-portuguese.

Contacte Informações

Guta Bacelar
305-598-0125
gbacelar@bellsouth.net

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