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Pesquisadores da Mayo Clinic descobrem que uma proteína que se acreditava proteger contra o câncer, na verdade, estimula os tumores

18 de Setembro de 2009

JACKSONVILLE, Flórida — Pesquisadores da Clínica Mayo do campus de Jacksonville, Flórida, e da Escola de Medicina de Harvard descobriram que uma proteína que, até agora, se acreditava servir como proteção contra o câncer, pode, na verdade, contribuir com a disseminação dos tumores.

Os cientistas descobriram, conforme artigo publicado na edição de 3 de setembro do jornal Molecular and Cellular Biology, que a proteína FOXO3a, um fator de transcrição que regula a expressão genética, fica ativa quando as células cancerosas começam a minguar. A pesquisa sugere que, nessa etapa, essa proteína "liga" alguns interruptores moleculares que permitem que as células cancerosas invadam tecidos vizinhos, em busca de "alimento".

"Isso é totalmente o oposto do que sabíamos sobre a FOXO3a – que era que deveríamos descobrir um mecanismo para ativar este fator de transcrição para combater o crescimento do câncer", afirma o biólogo cancerologista Peter Storz, Ph.D., da Clínica Mayo e principal pesquisador do estudo.

As descobertas do estudo, que foi financiado em parte pelo Departamento de Saúde da Flórida, ilustram a crescente crença entre comunidade científica de que as proteínas podem desempenhar papéis múltiplos na progressão de tumores, diz.

"Mais e mais, notamos que, quando se trata de câncer, as proteínas podem ter dupla personalidade", diz Peter Storz. "As proteínas que acreditávamos firmemente ser supressoras de tumor e que, portanto, deviam combater o desenvolvimento do câncer, agem, na verdade, como oncogenes ou promotoras do câncer, em certos tipos de câncer e em algumas circunstâncias biológicas. Entendemos, agora, que as proteínas se comportam de maneiras diversas, dependendo do contexto celular", afirma.

Peter Storz e seus colegas de laboratório se concentram na compreensão de como as células cancerosas se espalham. Esse estudo tem como base uma descoberta recente do co-autor do estudo Alex Toker, Ph.D., professor associado do Departamento de Patologia da Escola de Medicina de Harvard. Dr. Toker descobriu que a proteína Akt, que protege células tumorais da sua morte programada e induz a proliferação do câncer, em algumas circunstâncias também inibe a invasão de outros tecidos por células cancerosas. "Essa é uma proteína importante que, segundo o dogma, age como um oncogene, mas, conforme demonstrou Alex Toker, também pode inibir a disseminação do câncer e, portanto, pode agir como uma supressora da metástase", afirma Peter Storz.

Como a Akt é uma reguladora negativa importante da FOXO3a, a equipe de pesquisadores procurou descobrir se a FOXO3a era uma protagonista com dupla personalidade. E concluiu que o fator de transcrição de fato assume seu lado perigoso sempre que as células cancerosas estão por morrer de fome. "Nossa hipótese é a de que, quando as células cancerosas não conseguem os nutrientes que precisam, recorrem à FOXO3a, que lidera a migração e a invasão de áreas com melhores condições de crescimento", diz o pesquisador. "Esses dados se ajustam perfeitamente à descoberta de Alex Toker, porque a FOXO3a é o alvo da Akt", ele declara.

O estudo foi financiado por uma subvenção "Bankhead-Coley" do Departamento de Saúde da Flórida e teve apoio do Departamento de Defesa e dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.

Para mais informações sobre tratamentos de câncer na Clínica Mayo, no campus de Jacksonville, na Flórida, contate o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone
904-953-7000 ou envie um e-mail para intl.mcj@mayo.edu.

Sobre a Mayo Clinic
A Clínica Mayo é o primeiro e maior centro de medicina integrada do mundo. Médicos de todas as especialidades trabalham juntos no atendimento aos pacientes, unidos por um sistema e por uma filosofia comum, de que "as necessidades dos pacientes vêm em primeiro lugar". Mais de 3.300 médicos, cientistas e pesquisadores, além de 46.000 profissionais de saúde de apoio, trabalham na Clínica Mayo, que tem unidades em Rochester (Minnesota), Jacksonville (Flórida) e Scottsdale/Phoenix (Arizona). Juntas, as três unidades tratam mais de meio milhão de pessoas por ano.

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