10 de Agosto de 2009
JACKSONVILLE, Flórida — Uma pessoa que faz exercícios físicos regularmente, antes de um acidente vascular cerebral (ou derrame cerebral), pode se recuperar mais rapidamente, dizem pesquisadores da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, que lideraram um estudo de âmbito nacional, nos Estados Unidos.
Na edição de julho de 2009, do Jornal de Neurologia, Neurocirurgia & Psiquiatria, os pesquisadores relataram que a probabilidade de enfrentar sequelas menos graves — e portanto ficar em condições de cuidarem de si próprios — era maior para os pacientes que se exercitavam regularmente, antes de sofrerem o derrame cerebral, em comparação com os que raramente faziam exercícios físicos.
"O preparo físico pode ser muito benéfico para as pessoas em maior risco de sofrer um derrame cerebral", diz o neurologista da Clínica Mayo James Meschia, M.D., um dos principais pesquisadores do estudo. "Muitos estudos têm mostrado que o exercício pode reduzir o risco de desenvolver um derrame cerebral, para início de conversa. Esse estudo, porém, sugere que, se uma pessoa sofrer um derrame cerebral, apesar de seu hábito de se exercitar, as consequências podem ser mais leves", declara.
O neurologista alerta, no entanto, que um estudo de maior porte será necessário para validar essa descoberta. No estudo concluído, foi necessário reconvocar 673 pacientes que sofreram um derrame cerebral. Um novo estudo poderá, ainda, ajudar a esclarecer se exercícios moderados ou vigorosos podem produzir efeitos diferentes no processo de recuperação dos pacientes, ele diz.
"Faz muito sentido o fato de um paciente se recuperar mais rapidamente, quando praticava exercícios antes do derrame", afirma James Meschia. "Um cérebro que, normalmente, tem um bom fluxo de sangue e de oxigênio, graças a exercícios aeróbios, certamente estará em uma posição bem melhor para compensar os déficits neurológicos causados pelo derrame", explica.
A descoberta é potencialmente importante, considerando-se que o derrame cerebral é uma causa comum de doença, incapacidade e morte, entre pessoas com mais de 65 anos de idade, em todo o mundo. Nos Estados Unidos, derrames cerebrais resultam em mais de 780 mil mortes por ano, tornando o acidente vascular cerebral a terceira maior causa de morte no país. E ele causa incapacidades mais sérias, em longo prazo, do que qualquer outra doença, de acordo com os Institutos Nacionais de Saúde.
Esse estudo é um dos primeiros a testar a hipótese de que os benefícios do exercício se estendem além da prevenção de derrames cerebrais. Os pesquisadores examinaram dados colhidos por cientistas em quatro centros de saúde: a Clínica Mayo de Jacksonville (Flórida) e a de Rochester (Minnesota), a Universidade da Flórida e a Universidade de Virgínia, instituições que participaram do Estudo Genético do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico. O estudo foi projetado para examinar fatores de risco hereditários no derrame cerebral.
Os pacientes participantes do estudo foram submetidos a tratamento de derrame cerebral isquêmico agudo — o tipo mais comum de derrame, que resulta em morte das células cerebrais, devido ao bloqueio do fluxo de sangue em uma parte do cérebro.
Os pesquisadores revisaram um questionário respondido pelos pacientes, que apresentava perguntas sobre exercícios antes do derrame; e também examinaram medições das consequências do derrame, feitas logo depois do derrame e três meses mais tarde.
Dos 673 pacientes participantes, 50,5% relataram que, antes do derrame cerebral, eles faziam exercícios menos de uma vez por semana; 28,5% deles faziam exercícios de uma a três vezes por semana; e 21% deles praticavam atividades físicas aeróbias quatro vezes por semana ou mais.
Depois de contabilizar variáveis diferentes dos pacientes, tais como idade, sexo, raça, massa corporal e histórico médico, os pesquisadores descobriram que os exercícios físicos não afetam o porte ou a gravidade do derrame cerebral, mas, de fato, exercem um efeito positivo em suas consequências usuais. De uma maneira específica, os pacientes que praticam exercícios se saíram melhor em testes que avaliaram suas habilidades de realizar as atividades cotidianas (no que se refere à capacidade de cuidar de si mesmo) e que mostram se um paciente recuperou seu funcionamento normal.
"Concluímos que os pacientes, que levam uma vida ativa, podem se recuperar mais rapidamente depois de um derrame cerebral, com tendência de se observar melhores resultados nos exames realizados três meses mais tarde", diz o neurologista.
Os pesquisadores não conseguiram determinar, com base nos dados da pesquisa, o "efeito da dose" de exercícios — isto é, quanto exercício é necessário fazer por semana para assegurar o melhor funcionamento do organismo, no caso.
O Estudo Genético do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico foi financiado pelo Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e Derrame Cerebral. Para mais informações sobre tratamento de derrame cerebral na Clínica Mayo, em Jacksonville, Flórida, contate o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 904-953-7000 ou envie um e-mail para MCJ International Services.
Sobre a Mayo Clinic
A Clínica Mayo é o primeiro e maior centro de medicina integrada do mundo. Médicos de todas as especialidades trabalham juntos no atendimento aos pacientes, unidos por um sistema e por uma filosofia comum, de que "as necessidades dos pacientes vêm em primeiro lugar". Mais de 3.300 médicos, cientistas e pesquisadores, além de 46.000 profissionais de saúde de apoio, trabalham na Clínica Mayo, que tem unidades em Rochester (Minnesota), Jacksonville (Flórida) e Scottsdale/Phoenix (Arizona). Juntas, as três unidades tratam mais de meio milhão de pessoas por ano.
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