30 de Junho de 2009
JACKSONVILLE, Flórida — Pesquisadores da Clínica Mayo desenvolveram uma técnica para ajudar os médicos a determinar, de forma mais precisa, que pacientes com carcinoma de células renais de células claras (ccRCC ) irão morrer por causa do câncer, eventualmente, apesar da cirurgia. Ao mesmo tempo, uma equipe de pesquisadores da Flórida e de Minnesota contribuiu com descobertas adicionais sobre os fatores moleculares que provocam a agressividade do ccRCC, que abriram possibilidades potenciais para o desenvolvimento de novas terapias especíificas para aqueles pacientes.
Na última edição da revista Cancer, publicada em 15 de maio, os pesquisadores da Clínica Mayo explicaram o uso de espécimes e dados de tumores em 634 pacientes com ccRCC, que se submeteram à cirurgia na Clínica Mayo, para concluir que os níveis de três proteínas (survivina, B7-H1, ki-67) em tecidos de tumores ccRCC podem ser utilizados para predizer que pacientes irão morrer, no final das contas, por causa do câncer. Eles também afirmam que as informações para prognóstico, fornecidas por cada uma dessas três proteínas, parecem ser independentes umas das outras. Em outras palavras, cada biomarcador fornece informações úteis para prognóstico do quadro clínico de cada paciente, independentemente das informações obtidas pelos pesquisadores das outras duas proteínas.
"Identificar um único biomarcador, que pode fornecer informações úteis para prognóstico, é ótimo. Identificar três biomarcadores que podem fornecer informações úteis para prognósticos, de forma independente uma das outras, é uma grande oportunidade", declara o pesquisador principal do estudo, Alexander Parker, Ph.D., que é professor-assistente de Epidemiologia Clinica Mayo.
Esse tipo de câncer é o que mais comumente se desenvolve nos rins. Apenas no ano passado, mais de 40 mil diagnósticos de tumores ccRCC foram feitos nos Estados Unidos – e esse é um número que vem aumentando, de forma constante, por várias décadas. A maioria dos pacientes com ccRCC é diagnosticada com tumores que parecem estar confinados aos rins e que, portanto, podem ser removidos com cirurgia. Mas, de uma forma geral, 30% dos pacientes que se submetem à cirurgia sofrem uma recorrência do câncer em outra parte do corpo e menos de 10% tem uma sobrevida de cinco anos, diz o pesquisador.
"Com base nisso, uma proposta essencial para os pesquisadores tem sido identificar formas de predizer, de forma mais precisa, que pacientes com ccRCC sofrem maior risco de morrer devido à recorrência do câncer após a cirurgia", ele explica.
Nesse estudo, os pesquisadores combinaram os três biomarcadores em um teste original com um painel de biomarcadores, que eles chamam de "BioScore" (contagem biológica). Eles descobriram que as chances dos pacientes com valores mais altos de "BioScore" de morrer, por causa do câncer, eram cinco vezes maiores do que as dos pacientes com valores mais baixos de "BioScore".
Os pesquisadores dizem que esse teste original, que ainda precisa passar por maior confirmação em outros grupos de pacientes, será especialmente útil em situações em que os médicos e os pacientes ficam "em cima do muro" na hora de fazer prognósticos para a etapa pós-cirúrgica. "No momento, as ferramentas à disposição dos médicos, para fazer prognósticos sobre o destino de pacientes com ccRCC, são muito boas, mas, mesmo assim, há situações em que o risco de o paciente sofrer recorrência do câncer é considerado 'intermediário' ou 'moderado', depois de uma cirurgia", afirma Alexander Parker. "Nessas condições, sentimos que esse teste pode garantir maior tranquilidade a alguns pacientes, ao mesmo tempo em que revela a outros perigos ocultos, em potencial", afirma.
Além de ajudar a identificar de forma mais precisa os pacientes de alto risco, o "BioScore" tem potencial para aperfeiçoar as pesquisas, ao melhorar as configurações de futuros estudos clínicos, diz Alexander Parker. "Essa técnica representa um grande avanço em direção ao objetivo final, que é o de proporcionar um tratamento individualizado a cada paciente de câncer renal", ele afirma. "Os pacientes sentem algum conforto em saber que há uma chance de voltarem a ter câncer. Eles querem — e merecem — um prognóstico mais preciso e acredito que estamos bem encaminhados nessa direção", declara.
"Entretanto, até que tenhamos tratamentos mais eficazes para a doença, a capacidade de prever o risco de recorrência do câncer não ajuda suficientemente o paciente, pois estamos fazendo apenas a metade do trabalho. Mas, agora que estamos identificando com precisão as vias moleculares extraviadas, que provavelmente estão dando suporte ao crescimento e à disseminação do ccRCC, esses mesmos biomarcadores podem ser estudados em maior profundidade, para se desenvolver novas terapias, que possam ser usadas em combinação com a cirurgia, para reduzir ainda mais as chances de recorrência do câncer", ele afirma.
Na atualidade, os pesquisadores da Clínica Mayo querem expandir o painel de "BioScore" para 10 a 12 biomarcadores.
"Com esse estudo, demonstramos que o conceito geral de "BioScore" é factível. Podemos identificar múltiplos biomarcadores em tecidos ccRCC, cujos níveis de expressão podem ser combinados em um único sistema de contagem para se prever a sorte de um paciente com ccRCC", diz Alexander Parker.
A Clínica Mayo tem a patente do desenvolvimento do "BioScore" e alguns dos autores do estudo, incluindo Alexander Parker, entraram com requerimento de patente relativa a biomarcadores individuais de câncer, que são usados no teste.
Para mais informações sobre tratamento de câncer renal e outros tipos de câncer na Clínica Mayo, de Jacksonville, Flórida, contate o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 904-953-7000 ou envie um email para intl.mcj@mayo.edu.
A Clínica Mayo é o primeiro e maior centro de medicina integrada do mundo. Médicos de todas as especialidades trabalham juntos no atendimento aos pacientes, unidos por um sistema e por uma filosofia comum, de que "as necessidades dos pacientes vêm em primeiro lugar".
Mais de 3.300 médicos, cientistas e pesquisadores, além de 46.000 profissionais de saúde de apoio, trabalham na Clínica Mayo, que tem unidades em Rochester (Minnesota), Jacksonville (Flórida) e Scottsdale/Phoenix (Arizona). Juntas, as três unidades tratam mais de meio milhão de pessoas por ano.
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