21 de Maio de 2009
ORLANDO, Flórida — A combinação de dois medicamentos usados em quimioterapia com o trastuzumab (Herceptin) pode oferecer aos médicos uma outra opção para o tratamento de mulheres com câncer de mama HER2 positivo metastático.
No 45o Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO — American Society of Clinical Oncology), os pesquisadores da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, relataram que o uso de uma combinação de capecitabina, vinorelbina e trastuzumab oferece uma opção de tratamento que é, no mínimo, tão benéfica quanto outras opções atuais, com uma vantagem: não causa perda de cabelos nas pacientes.
"Esse é um regime muito bem tolerado. A combinação é um bom exemplo de excelente índice terapêutico: boa atividade e baixa toxidez", diz a pesquisadora sênior do estudo Edith Perez, M.D., diretora do Centro de Câncer de Mama da Clínica Mayo de Jacksonville.
O estudo clínico é o primeiro nos Estados Unidos a investigar essa combinação particular de terapias em pacientes com câncer de mama HER2 positivo metastático, dizem os pesquisadores. O regime de quimioterapia foi testado anteriormente na Europa e demonstrou boa atividade antitumor e baixa toxidez. Assim, os pesquisadores da Mayo combinaram esse regime com o Herceptin, conta o autor principal do estudo, Winston Tan, M.D., oncologista-médico da Clínica Mayo.
Das 45 pacientes participantes do estudo, 67% responderam ao tratamento, conseguindo uma redução do tamanho de seus tumores em pelo menos 30%. A resposta histórica a regimes com medicamentos convencionais (um medicamento de quimioterapia com Herceptin), que são usados atualmente no tratamento de câncer de mama HER2 positivo metastático, é de cerca de 50%, observa Winston Tan. "Os resultados são encorajadores e vão dar suporte à Fase III do estudo, que será maior e randomizado", ele afirma. "Essa é a Fase II do estudo dessa combinação tríplice, de forma que temos de avaliar esse tratamento contra o melhor tratamento padrão com dois medicamentos, em um estudo randomizado da Fase III, para saber se essa trinca é mais eficaz", diz o oncologista da Mayo.
Para ele, "esse regime parece ser uma escolha bastante razoável, que oferece a vantagem adicional de não provocar a queda de cabelos nas mulheres que o adotarem". A combinação de medicamentos, usada mais comumente por pacientes com câncer de mama HER2 positivo já disseminado — paclitaxel ou docetaxel com trastuzumab — sempre causa perda de cabelo, explica Winston Tan.
Todos os agentes já foram aprovados para uso pela FDA (órgão que controla a comercialização de alimentos e medicamentos nos EUA), embora a vinorelbina ainda não tenha sido aprovada para esse regime de tratamento em particular nos Estados Unidos, dizem os pesquisadores.
A quimioterapia com capecitabina não é combinada normalmente com o trastuzumab, porque alguns estudos sugeriram que ela não oferece benefícios sinérgicos ou suplementares. No entanto, segundo o oncologista, novas pesquisas têm demonstrado que a combinação é, de fato, promissora.
Entre as pacientes estudadas, 28 (58%) tiveram uma resposta parcial: uma redução no tamanho do tumor metastático em 30%, de acordo com tomografias computadorizadas. Quatro pacientes tiveram uma resposta completa: nenhuma outra evidência de tumores metastáticos apareceu nos exames de diagnóstico, dizem os pesquisadores.
As taxas de sobrevida melhoraram, em comparação histórica a tratamentos convencionais, diz Winston Tan. "Normalmente, a sobrevida no caso de câncer de mama metastático é de dois anos", ele afirma. "Nesse estudo, o período de sobrevida foi de 27 meses", conta. Ele observa que esses estudos ainda vão ser confirmados na Fase III do estudo.
"A toxidez foi tolerável, não mais do que o visto em regime com dois medicamentos", ele diz. A maioria das pacientes (61%) registraram uma contagem de glóbulos sanguíneos baixa, mas apenas 10% das pacientes tiveram problemas de fadiga ou de outros efeitos colaterais comuns.
O pesquisador enfatizou que esse regime não oferece tratamento curativo, mas proporciona às pacientes melhor qualidade de vida, em comparação com outros regimes comumente usados.
"É muito difícil tratar o câncer de mama que já se espalhou, mas acreditamos que fazer a combinação de tratamentos é importante, para fazer os tumores que estão crescendo rapidamente encolherem", declara.
De acordo com o oncologista da Mayo, 80% das pacientes que apresentaram benefícios foram tratadas com outros medicamentos de quimioterapia — na maioria, antraciclinas e paclitaxel — e pelo menos metade das pacientes também usaram o trastuzumab em condições adjuvantes ou metastáticas. "Elas ainda obtiveram uma resposta a essa combinação de duas quimioterapias, mais o agente biológico, e isso é encorajador", ele afirma.
Para mais informações sobre tratamento do câncer de mama na Clínica Mayo, Jacksonville, Flórida, contate o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 1-904-953-7000 ou escreva para intl.mcj@mayo.edu.
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