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Pesquisadores encontram forma de impedir metástase cancerosas

29 de Abril de 2009

JACKSONVILLE, Flórida — Com base em pesquisas que lançaram uma nova luz sobre os mecanismos que levam células cancerosas a se deslocar e invadir outras partes do organismo, pesquisadores da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, chegaram a um novo entendimento sobre como impedir a metástase, o processo de propagação do câncer para outros órgãos do corpo que, freqüentemente, torna a doença fatal.

Na edição online, de 29 de março, do jornal Nature Cell Biology, os pesquisadores escreveram que uma molécula, conhecida como proteína cinase D1 (PKD1), é responsável pela capacidade da célula de um tumor de "remodelar" sua estrutura, o que lhe dá a habilidade de migrar e invadir outros órgãos. Os pesquisadores descobriram que quando a PKD1 está ativa, as células cancerosas não se movem — isso explica por que, em alguns tipos invasivos de câncer, a PKD1 se encontra desativada.

Durante a metástase, as células invasivas do câncer só se deslocam do tumor primário depois de receber sinais biológicos. Alguns grupos de pesquisa da Clínica Mayo, na Flórida, estão especialmente interessados nesse processo. Uma equipe, liderada pelo biologista especializado em câncer Peter Storz, Ph.D., vem investigando um processo conhecido como remodelação da actina na vanguarda — o ponto mais avançado — dessas células cancerosas migratórias.

"Os fenômenos que reorganizam o citoesqueleto composto pela actina na vanguarda são complexos — uma multidão de moléculas atua em concerto", diz o biologista. "Mas parece que a PKD1 tem de ser desativada, para possibilitar a migração das células cancerosas", afirma.

Filamentos da actina ajudam a compor o citoesqueleto das células. Para que as células cancerosas possam se deslocar, a estrutura das células baseada na actina tem de ser continuamente reorganizada, explica Peter Storz. E, para fazer isso, novos filamentos da actina precisam ser gerados, para mover a célula do lugar.

O grupo liderado por Peter Storz descobriu que a PKD1 é um elemento crítico nesse processo. Os pesquisadores descobriram que a PKD1 inibe outra proteína, conhecida como slingshot ou estilingue, que regula a separação de estruturas existentes da actina, de forma que novos filamentos da actina possam ser sintetizados, um fenômeno que é essencial para a movimentação das células.

Os pesquisadores usaram métodos para empobrecer células cancerosas da PKD1 e descobriram que a motilidade delas aumentou. Eles, então, ativaram a expressão da PKD1 nas células cancerosas e observaram que a movimentação delas estava bloqueada. A PKD1 é, portanto, uma reguladora negativa da migração direcionada das células e, se a PKD1 não é expressada nas células cancerosas, a proteína estilingue, se tornará ativa e irá contribuir para a reorganização da actina; e uma célula cancerosa irá se mover, explicam os pesquisadores.

"Isso faz sentido, porque outros pesquisadores descobriram que a PKD1 é regulada de forma decrescente — ou desligada — em formas invasivas de câncer gástrico, de próstata e de mama", afirma o biologista.

Até o momento, os pesquisadores identificaram uma certa quantidade de protagonistas nas vias que regulam a movimentação das células cancerosas, da molécula (RhoaA) que ativa a PKD1 à proteína bem conhecida (cofilina) que desmontam os filamentos da actina e que é regulada pela proteína estilingue. Quando a PKD1 é ativada, a cofilina deixa de funcionar e as células não podem se mover.

"Agora que identificamos a PKD1 como uma reguladora-chave nos processos de regulação da movimentação das células cancerosas com base na actina, podemos começar a pensar em desenvolver tratamentos para bloquear a metástase de células cancerosas", diz Peter Storz. "Os mecanismos básicos que descobrimos são essenciais para esse propósito", declara.

Entre os co-autores do estudo estão os pesquisadores Tim Eiseler, Ph.D.; Heike Döppler; e Irene Yan, todos do Departamento de Biologia do Câncer da Clínica Mayo, e Kanae Kitatani, Ph.D., e Kensaku Mizuno, Ph.D., da Escola de Graduação de Ciências da Vida da Universidade de Tohoku, no Japão.

O estudo foi financiado pela Fundação Mayo, pelo Centro Completo do Câncer da Mayo, pelo Instituto Nacional do Câncer, por uma verba da "Friends for an Earlier Breast Cancer Test" (Amigos para um Exame Precoce do Câncer de Mama) e por uma subvenção para pesquisa científica do Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia do Japão.

Para mais informações sobre tratamento de câncer na Clínica Mayo, de Jacksonville, Flórida, contate o departamento de Serviços Internacionais pelo telefone 904-953-7000 ou escreva para intl.mcj@mayo.edu.

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Sobre a Mayo Clinic

A Clínica Mayo é o primeiro e maior centro de medicina integrada do mundo. Médicos de todas as especialidades trabalham juntos no atendimento aos pacientes, unidos por um sistema e por uma filosofia comum, de que "as necessidades dos pacientes vêm em primeiro lugar". Mais de 3.300 médicos, cientistas e pesquisadores, além de 46.000 profissionais de saúde de apoio, trabalham na Clínica Mayo, que tem unidades em Rochester (Minnesota), Jacksonville (Flórida) e Scottsdale/Phoenix (Arizona). Juntas, as três unidades tratam mais de meio milhão de pessoas por ano.

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