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Tecnologia avançada de imagem melhora resultados de cirurgias da coluna vertebral

12 de Janeiro de 2009

JACKSONVILLE, Flórida — Um sistema guiado por imagens tridimensionais (3D) ajuda os cirurgiões a obterem melhores resultados, em termos de precisão e segurança, na colocação de parafusos na coluna vertebral dos pacientes. Com ele, reduz-se a quantidade de parafusos mal colocados e as lesões subseqüentes, observadas em cirurgias tradicionais, informam neurocirurgiões da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida.

Na edição online de 9 de dezembro do Journal of Neurosurgery: Spine, os médicos da Clínica Mayo de Jacksonville divulgaram o maior estudo já feito sobre o uso da tecnologia de imagens em 3D como guia para colocação de parafusos na coluna vertebral, nos procedimentos de fusão espinhal. Os parafusos são usados para estabilizar a coluna em pacientes que têm problemas nos discos ou nervos comprimidos.

Especificamente, depois de implantar 1.084 parafusos pediculares em 220 pacientes, os cirurgiões relataram que a taxa de lesão de nervos foi inferior a 1%. Além disso, menos de 1% dos parafusos implantados, durante o período do estudo, foram considerados significativamente mal colocados. Em cirurgias com a tecnologia padrão, a taxa de lesão de nervos, segundo os relatos médicos, é de até 8% e a de mal colocação de parafusos é de até 55%. Por outro lado, a taxa de repetição da cirurgia para remoção de parafusos mal colocados se eleva a até 6,5%, segundo outros relatos da literatura cirúrgica — no caso dos procedimentos realizados durante o estudo da Mayo, essa taxa foi de menos de 0,5% do total de pacientes, de acordo com os pesquisadores.

"O uso da tecnologia da imagem em 3D para guiar o procedimento de colocação dos parafusos produz resultados muito melhores para nossos pacientes", diz o neurocirurgião da Clínica Mayo Eric Nottmeier, que foi o pesquisador principal do estudo. "Além da menor incidência de lesão das raízes nervosas, essa tecnologia nos permite colocar parafusos maiores na coluna vertebral, o que também aumenta as chances de sucesso da operação", afirma.

Esse procedimento usa uma câmera especial, que emprega radiação infravermelha para rastrear instrumentos cirúrgicos em espaço tridimensional, conectada a um computador. O cirurgião coloca o instrumento na coluna vertebral do paciente e navega por ela, usando o computador. O instrumento cirúrgico é usado para determinar o melhor ponto de entrada e a trajetória para cada parafuso. Uma chave de fenda, guiada por imagem, é usada para instalar o parafuso.

Na maioria das demais instituições médico-hospitalares, os parafusos pediculares são colocados através de técnicas manuais ou por fluoroscopia, que usam radiografias para capturar imagens em uma dimensão do processo de colocação de parafusos numa tela de computador. Além da imagem trazer menos detalhes, o paciente e toda a equipe médica na sala cirúrgica ficam expostos à radiação e, por isso, são obrigados usar roupas de chumbo para se protegerem, diz o médico. Quase todos os pacientes que participaram desse estudo foram submetidos a uma tomografia computadorizada após a cirurgia, para que um radiologista pudesse determinar, de forma independente, se os parafusos foram realmente bem colocados.

"Cada pessoa tem uma coluna vertebral um pouco diferente", diz Eric Nottmeier. "Variações inesperadas no formato do osso e a sua densidade podem tornar a colocação do parafuso na coluna vertebral mais desafiadora, especialmente no caso de pacientes que já se submeteram à cirurgia da coluna", ele afirma. Quase a metade dos pacientes participantes do estudo da Mayo haviam sido submetidos a uma cirurgia da coluna anteriormente.

"Essa técnica nos possibilita a melhor visão possível das vértebras durante a operação", explica o médico.

Devido ao êxito da técnica, o sistema guiado por imagens 3D está sendo usado, agora, em todas as cirurgias de colocação de parafusos na coluna realizada no campus da Flórida da Clínica Mayo.

Nesse estudo, foram utilizados dois sistemas guiados por imagens: o "Stealth Treon", fabricado pela Medtronic, de Littleton, Massachusetts, e o "BrainLAB Vector Vision", da BrainLAB, de Westchester, Illinois. Eric Nottmeier é um consultor contratado pela BrainLAB. Entretanto, o estudo foi realizado de forma independente e não contou com financiamento de qualquer empresa.

Foram co-autores do estudo o médico Phillip M. Young, do Departamento de Radiologia da Clínica Mayo da Flórida, e Will Seemer, B.A., do Departamento de Química da Universidade do Norte da Flórida em Jacksonville.

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