1 de Fevereiro de 2008
SAN ANTONIO, Texas — Pequenos tumores na mama — com apenas um centímetro de comprimento ou mesmo menores — também podem ser muito agressivos e, por isso, exigir terapia mais intensiva do que a que é rotineiramente administrada, hoje, pelos médicos, dizem pesquisadores da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida.
O estudo, que foi apresentado em dezembro 2007, no Simpósio sobre Câncer de Mama em San Antonio, Texas, é um dos poucos que vêm examinando os efeitos de tumores minúsculos, que ainda não se propagaram para os gânglios linfáticos, no organismo das mulheres. A descoberta sugere que os problemas causados por dois tipos de câncer de mama — aqueles classificados como HER2-positivo (HER2+) e triplo-negativo — podem não ser resultantes apenas do tamanho dos tumores.
"Esse é um estudo pequeno e, por isso, não podemos fazer recomendações de tratamento a partir dele. Mas ele sugere que aspectos biológicos — não apenas o tamanho — também devem ser levados em consideração, na hora de selecionar a terapia para tratar tumores pequenos e invasivos", diz a pesquisadora líder do estudo, a médica Surabhi Amar, uma especialista da Divisão de Hematologia e Oncologia da Clínica Mayo de Jacksonville.
Atualmente, não existem diretrizes definitivas para o tratamento de tumores menores que um centímetro em tamanho, porque estudos clínicos são normalmente conduzidos apenas com mulheres cujos tumores estão mais crescidos ou estão associados a envolvimento com os gânglios linfáticos, diz a médica. "A verdade é que não dispomos de muitas informações sobre tumores tão pequenos. Assim, o tratamento se torna uma questão de critério do médico", ela afirma.
Pesquisadores das três unidades da Mayo — Jacksonville, Scottsdale, no Arizona, e Rochester, em Minnesota, participaram do estudo, que examinou 401 mulheres em processo de tratamento de câncer de mama, entre 2001 e 2005, nas clínicas de câncer de mama em Jacksonville e Scottsdale.
Desse universo de pacientes, 350 mulheres (87%) tinham tumores que foram classificados como HER2-negativo e ER/PR-positivo (ou HER2-negativo/ER/PR+); 27 mulheres (6,7%) tinham tumores que eram HER2+; e 24 mulheres (5,9%) foram diagnosticadas com câncer triplo-negativo – isto é, ER/PR-negativo e HER2-negativo. Essas classificações se referem a receptores presentes no exterior da célula do tumor, que alimentam o crescimento dele. O câncer classificado como ER/PR+ é considerado o menos agressivo das três categorias. De uma maneira geral, os estudos têm mostrado que de todas as pacientes diagnosticadas com a doença, um grupo de 15% a 20% tem câncer de mama do tipo HER2+ e um grupo de 10% a 15% têm câncer triplo-negativo.
As pacientes foram acompanhadas por quase três anos, em média. Até agora, os pesquisadores acumularam dados de todas as pacientes com câncer HER2+ e câncer triplo-negativo e de 219 pacientes com câncer HER2-negativo/ER/PR+. Os pesquisadores descobriram que:
Apesar de apenas um pequeno número de mulheres ter os subtipos raros de câncer incluídos nesse estudo, as descobertas sugerem que mulheres com tumores HER2+ e triplo-negativo devem se submeter ao tratamento mais rigoroso possível, para prevenir a reincidência do câncer, diz Surabhi Amar. Os pesquisadores descobriram que apenas 35% das mulheres com câncer triplo-negativo foram tratadas com quimioterapia adjuvante (quimioterapia após a cirurgia), apesar do grau mais alto de seus tumores. "A quimioterapia pode não funcionar tão bem nesses tumores, como gostaríamos, mas, ainda assim, os médicos que tratam pacientes com câncer triplo-negativo devem estar atentos para o alto risco de recaída, mesmo que os tumores sejam bem pequenos", ela afirma.
A quimioterapia adjuvante foi ministrada a 28% das pacientes com tumores HER2+. A 4% das pacientes foi ministrado o medicamento Herceptin, uma "terapia dirigida" desenvolvida para tratar especificamente essa classe de tumores. "O Herceptin deveria ter sido ministrado no caso de tumores gânglio-negativo tão pequenos? Não há dados suficientes, atualmente, para responder a essa questão", declara a médica. "Mas, esse estudo ressalta, definitivamente, o fato de que tumores HER2-positivo, mesmo que muito pequenos, podem justificar terapias mais agressivas", ela afirma.
Apenas 3,9% das pacientes com câncer HER2-neg/ER/PR+ foram tratadas com quimioterapia. "Assim, apesar das taxas de uso de quimioterapia adjuvante terem sido significativamente maiores nos casos dos subgrupos HER2+ e triplo-negativo, esses grupos ainda apresentaram uma taxa maior de reincidência do câncer", ela diz.
A pesquisadora sênior do estudo é a diretora da Clínica Multidisciplinar de Mama da Clínica Mayo de Jacksonville, Edith A. Perez, M.D. Outros pesquisadores participantes do estudo incluem Ann E. McCullough, M.D.; Xochiquetzal J. Geiger, M.D.; Rebecca B. McNeil, Ph.D.; Winston Tan, M.D.; Kyle E. Coppola; Beiyun Chen, M.D.; e Judy C. Boughey, M.D.
###
A Clínica Mayo é o primeiro e maior centro de medicina integrada do mundo. O Centro de Câncer da Mayo é considerado pelo Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos como a única instituição de saúde que se dedica, de forma abrangente, ao combate ao câncer. A unidade de Jacksonville, na Flórida, inaugurada em 1986, conta com mais de 350 médicos, dedicados ao diagnóstico, tratamento e cirurgia, em mais de 40 especialidades. Os pacientes que necessitam hospitalização são internados no St. Luke's Hospital. Um novo hospital, que terá 214 camas, está em construção no campus da Clínica Mayo, com inauguração prevista para abril de 2008.
Para marcar consultas on-line: http://www.mayoclinic.org/portuguese-jax/marcacao.html
###
Clique aquí para ver os comunicados de imprensa mais recentes da Mayo Clinic. MayoClinic.com está disponível como recurso para suas matérias de saúde.
Para mais informações contacte:
Mariana Iglesias
507-284-5005 (days)
507-284-2511 (evenings)
newsbureau@mayo.edu