Mayo Clinic home page [logo]

Search

  • Print
  • Adjust type size:
  • Font size down
  • Font size up

Médicos da Mayo Cinic usam nova técnica de radiação para tratar câncer de fígado

1 de Fevereiro de 2007

JACKSONVILLE, Flórida — Médicos da Clínica Mayo, em Jacksonville, Florida, estão usando, agora, cápsulas vitrificadas minúsculas, com carga radioativa, para aplicar radiação de alta dose em tumores no fígado - e só neles. Eles consideram o procedimento mais tolerável do que outras formas de tratamento intra-arterial do câncer hepático e, possivelmente, a melhor opção para alguns pacientes que não podem se submeter a intervenções cirúrgicas ou de transplante de fígado.

A técnica — chamada "radioembolização" ou "braquiterapia inter-arterial" — usa a corrente sanguínea para transportar as pequenas cápsulas, menores em diâmetro que um fio de cabelo, até os vasos microscópicos, recém-formados, que alimentam os tumores. Eventualmente, essas microcápsulas se alojam nas posições dos tumores e liberam a radiação de alta dose.

Como os tumores do fígado usam um suprimento de sangue que é distinto, em grande medida, do sangue que nutre os tecidos normais do fígado, apenas um mínimo dessas microcápsulas terminam na parte sadia do fígado, afirmam os médicos da Clínica Mayo.

"A técnica é uma maneira engenhosa de explorar as diferenças no suprimento de sangue para o tumor do fígado e para o tecido normal do fígado", diz o radiologista-intervencionista da Clínica Mayo Ricardo Paz-Fumagalli. Ele, com oncologistas de radiação da Clínica Mayo, administra essa terapia em pacientes.

Existem dois vasos sanguíneos principais que drenam sangue para o fígado. Cerca de três quartos do suprimento de sangue para os tecidos normais do fígado vêm da veia porta do fígado; apenas um quarto vem da artéria hepática e suas ramificações, explica Paz-Fumagalli. Tumores do fígado, por outro lado, recebem a maior parte do suprimento de sangue, para seu sustento, da artéria hepática e recebem o maior volume de microcápsulas radioativas. "Assim, se realizamos um tratamento através das artérias, elas atingem mais especificamente o tumor e a parte normal do fígado é relativamente poupada", diz o radiologista.

O procedimento é ambulatorial e dura cerca de uma hora. Os médicos administram anestesia local, pela perna, na área da artéria femoral do paciente, e sedação intravenosa branda. Em seguida, inserem na artéria femoral um cateter, que levam, com a ajuda de raio-x, até a artéria-alvo, que se ramifica da artéria hepática. Então, os médicos injetam as minúsculas cápsulas vitrificadas na artéria. Conforme as microcápsulas liberam a radiação, num período de 10 a 14 dias, os tumores recebem uma dose mais alta do que, normalmente, seria suportável, se fossem administradas pelo método de feixe externo, usado para tratar muitos tipos de câncer, tais como os de mama e de próstata, diz Paz-Fumagalli.

Entretanto, a radiação emitida pelas microcápsulas não penetram tão fundo ou mantêm sua potência por muito tempo. "O tipo de radiação usada penetra apenas numa camada fina de tecido, de dois a três milímetros em média; assim, logo que se tem uma espessura suficiente de tecido na área que foi submetida ao tratamento, muito pouca radiação vai escapar e expor outros tecidos ou outras pessoas a ela", ele diz.

Além disso, a meia-vida da radiação do Ítrio-90 (90Y), usado na terapia, é de 64 horas. Isto é, em 64 horas, metade da radioatividade se decompõem em uma substância não radioativa. A metade restante irá se decompor em outras 64 horas e assim por diante. "Ao se passarem duas semanas, sobra muito pouca radiação", diz Paz-Fumagalli. "Portanto, é uma terapia muito segura. Ela é altamente concentrada no tumor e não vai muito longe", ele diz. "Por essa razão, o corpo pode tolerar essas doses de radiação muito bem", garante o radiologista.

Os médicos da Mayo realizam exames de imagem detalhados antes do tratamento, para se certificarem de que um excesso de fluxo sanguíneo na artéria hepática não esteja indo para outros órgãos. Isso porque as altas doses de radiação, usadas nesse novo tipo de tratamento, causariam danos severos aos pulmões, estômago e intestinos, se transportadas para além do fígado.

A radioembolização pode ser um tratamento apropriado para pacientes que não podem se submeter a transplante de fígado, cirurgia ou a um outro procedimento chamado ablação percutânea, dizem os médicos da Mayo. Pacientes podem ser rejeitados para uma dessas opções consideradas melhores de tratamento nos casos em que o tumor é muito grande ou a quantidade de tumores é grande, que não há reserva suficiente de fígado em bom estado ou, ainda, nos casos de metástase (em que o câncer atinge outros órgãos).

Se a radioembolização não for possível ou segura, existem outros métodos de tratamento intra-arterial disponíveis, eles dizem. Uma alternativa é a quimioembolização, pela qual os médicos injetam um coquetel quimioterápico e pequenas partículas oclusivas nas artérias do fígado. No entanto, esse procedimento pode ser muito dolorido, requer hospitalização e tende a ser mais tóxico para o tecido saudável do fígado.

O prognóstico para casos de câncer primário do fígado (carcinoma hepatocelular) não é normalmente bom, quando a cirurgia não é uma opção. Para esses pacientes, a radioembolização é usada como uma terapia paliativa, para melhorar a qualidade de vida, aumentar a capacidade de sobrevivência e, em alguns casos, pode ser uma opção como terapia para encolher um tumor, com o objetivo de preparar um paciente para um transplante curativo de fígado.

###

To obtain the latest news releases from Mayo Clinic, go to www.mayoclinic.org/news. MayoClinic.com is available as a resource for your health stories.

Terms of Use and Information Applicable to this Site
Copyright ©2001-2008 Mayo Foundation for Medical Education and Research. All Rights Reserved.

.