2 de Janeiro de 2007
JACKSONVILLE, Flórida — Se o tratamento com remédios não desobstruir os seios paranasais, as pessoas com sinusite têm agora uma nova opção: uma técnica cirúrgica emprestada da cardiologia. Os cirurgiões otorrinolaringologistas da Clínica Mayo, em Jacksonville, Florida, adotaram um novo procedimento ambulatorial, inspirado na angioplastia, para aliviar os sintomas da sinusite crônica, uma inflamação, geralmente provocada por infecção, dos canais de ligação dos seios da face e as vias respiratórias.
Os médicos adaptaram a técnica da angioplastia, há muito usada para abrir artérias obstruídas, para ajudar a limpar os seios faciais bloqueados pela sinusite. O procedimento, chamado sinuplastia com balão, é uma solução alternativa, minimamente invasiva, à cirurgia mais radical dos seios da face, em pacientes que precisam mais do que medicamentos para se tratar, diz o otolaringologista Christopher Garvey, da Clínica Mayo. "É uma técnica inovadora. Usar essa tecnologia no tratamento da sinusite é simplesmente brilhante", ele afirma.
Com o paciente sob anestesia geral, na técnica da sinuplastia com balão, o cirurgião insere um cateter especial e um fio-guia através da narina do paciente, levando-os ao seio facial com problema. Guiado por um raio-x e com a ajuda do fio-guia, o médico conduz, um balão pequeno e flexível até a entrada do seio facial. O balão é então inflado com um fluido, a uma pressão específica. Conforme o balão se expande, ele causa fraturas minúsculas na cavidade óssea do seio facial. Isso dilata a cavidade, o que restaura a drenagem normal do seio facial. O cirurgião remove o cateter, o fio-guia e o balão e pode repetir o processo em outros seios bloqueados.
Normalmente, os pacientes se recuperam e vão para casa no mesmo dia. Podem sentir um alívio imediato dos sintomas e retomar suas atividades normais dentro de 24 horas.
Cada pessoa tem quatro pares de seios faciais no crânio. Há uma drenagem de muco desses espaços ocos para as fossas nasais. Algumas vezes, ocorre a inflamação da mucosa (revestimento) dos seios faciais, causada por uma infecção virótica ou bacteriana; outras vezes, por distúrbio auto-imune subjacente. A abertura dos seios da face fica obstruída, impedindo a drenagem normal do muco. Isso provoca sintomas de dor e indisposição em cerca de 30 milhões de pessoas nos Estados Unidos, por ano. Um episódio isolado é um caso de sinusite aguda; uma caso que persiste por cerca de 3 meses torna-se uma sinusite crônica.
Se o tratamento da doença com medicamentos não funciona, os médicos podem recomendar uma cirurgia, para dilatar as passagens dos seios da face. Nesse caso, os cirurgiões usam uma microcâmera para examinar os seios faciais e, com a ajuda de instrumentos especiais em miniatura, o cirurgião elimina tecidos ósseos e outros tecidos, para desobstruir os seios faciais. Isso pode resultar em cicatrizes que, com o tempo, podem bloquear a abertura dos seios da face novamente. A sinuplastia com balão, no entanto, causa menos sangramento, menos traumatismo no tecido e dor pós-operatória do que a cirurgia endoscópica realizada comumente.
Garvey seleciona candidatos ao procedimento caso a caso. Dependendo do caso, ele pode combinar sinuplastia com as técnicas costumeiras de endoscopia. "Algumas vezes, você precisa remover um pouco de tecido", ele explica. "Se o paciente tem pólipos nasais, eles têm de ser removidos e, quando você abre a passagem para o seio frontal, há fragmentos ósseos que precisam ser removidos. Mesmo assim, há menos cirurgia, menos trauma para o tecido e menos cicatrizes mais tarde", ele diz.
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