Mayo Clinic home page [logo]

Search

  • Print
  • Adjust type size:
  • Font size down
  • Font size up

Proteína "de duas faces" pode deter a metástase ou promovê-la

11 de Novembro de 2006

Jacksonville, Flórida ─ — Pesquisadores da Clínica Mayo descobriram que a catenina p 120, uma proteína conhecida por ser um componente-chave no processo de adesão celular, também está envolvida com o processo de separação celular, promovendo a movimentação das células que ocorre no início do avanço dos tumores para outras partes do corpo.

O estudo, publicado no Jornal de Biologia Celular, (Journal of Cell Biology), ajuda a compreender os estágios iniciais do processo de metástase, que é a expansão do câncer para outros órgãos do corpo, o que torna a doença bem mais difícil de tratar. O estudo sugere que será possível desenvolver, no futuro, um medicamento que bloqueie esse processo perigoso em seu início - ou que o interrompa, uma vez que comece.

"Nossos dados mostram que essa proteína, a catenina p 120, exerce papéis fundamentais tanto para dificultar a invasão dos tumores como para facilitá-la", diz o pesquisador de câncer da Clínica Mayo Panos Anastasiadis, principal autor do estudo. "É uma descoberta muito interessante, porque ela abre grandes possibilidades para o desenvolvimento de novas formas de terapia, que poderão ser aplicadas no tratamento da maioria dos tumores", afirma.

Esse estudo de laboratório examina como a catenina p 120 interage com as proteínas de adesão celular, da família das caderinas, em células cancerígenas. As proteínas caderinas vão através de uma membrana celular e, em seu exterior, atuam como um dispositivo de fixação (como o Velcro), grudando-se a outras proteínas caderinas em células adjacentes. No interior da membrana celular, as caderinas se atam, em cadeia, às cateninas; as cateninas, por sua vez, regulam a forma e a função da célula.

A caderina melhor compreendida é a E-caderina, que propicia conexões firmes entre células epiteliais, formando um revestimento forte, de proteção, que cobre o interior de órgão e cavidades corporais, bem como a pele externa dos humanos. "A E-caderina mantém as células e tecidos humanos grudados", explica Anastasiadis.

As outras caderinas analisadas nesse estudo pertencem a um grupo que é chamado coletivamente de caderinas "mesenquimais", que propiciam um vínculo menos rígido entre as células que povoam o tecido conjuntivo de forma esparsa. "O Colágeno normalmente dá a solidez necessária ao tecido conjuntivo, de forma que uma adesão firme célula-célula não é tão importante", ele diz.

Em alguns momentos, tais como durante o desenvolvimento do corpo humano ou cicatrização de uma ferida, as células epiteliais precisam se deslocar para outras áreas do organismo e, ao fazê-lo, elas passam por um processo conhecido como "transição epitelial-mesenquimal (EMT - epithelial-mesenchymal transition). A célula reduz sua produção de proteínas E-caderina e aumenta a expressão de caderinas mesenquimais; assim, ela se solta eficazmente das âncoras que a mantêm atada a suas vizinhas.

Infelizmente, o câncer adotou a mesma estratégia para se espalhar, diz Anastasiadis. "Quando a E-caderina deixa de exercer sua função, a célula se desliga de suas companheiras e vai para algum outro lugar no organismo", ele explica. "Isso significa que a E-caderina normalmente ajuda a suprimir a invasão".

Entretanto, os pesquisadores observaram que a proteína catenina p 120 parece ter, misteriosamente, duas faces: enquanto, normalmente, ela fortalece a união célula-célula, em alguns casos ela também pode afetar negativamente a adesão celular. Eles também descobriram que a superprodução da p 120 aumenta a habilidade da célula de se mover. Mas os significado dessas observações tem desconcertado os cientistas.

Nesse estudo, o pesquisador Masahiro Yanagisawa, M.D., Ph.D. (também do laboratório da Mayo) e Anastasiadis oferecem uma explicação para esse comportamento da p 120, que ajuda a entender porque a transição epitelial-mesenquimal (EMT) entre a E-caderina e caderinas mesenquimais facilita o desligamento de células cancerígenas do tecido e o deslocamento delas para outras partes do corpo.

Eles descobriram que a p 120 "prefere" se ligar à E-caderina a se unir às caderinas mesenquimais. Assim, em células epiteliais normais, a p 120 sempre se associa às mais abundantes E-caderinas. No entanto, quando a produção de E-caderina cai, durante a progressão do câncer, as cateninas p 120 começam a se unir às caderinas mesenquimais. E quando isso acontece, segundo descobriram os pesquisadores, a p 120 muda inesperadamente de comportamento, numa cascata de eventos que promovem a movimentação das células.

"Mostramos que a E-caderina estanca a invasão, pelo menos em parte, ao se unir à proteína p 120 na célula", diz Anastasiadis. "Na falta da E-caterina, a p 120 fica livre para se ligar às caderinas mesenquimais, deflagrando um processo que leva à metástase", explica.

Portanto, a p 120 atua como um "reostato", que promove tanto a estabilidade, quando associada à E-caderina, quanto a mobilidade, quando ela interage com as caderinas mesenquimais, ele diz.

Os pesquisadores acreditam que mais pesquisas serão necessárias para se verificar se a p 120 funciona em tecido vivo da mesma maneira que se comportou em laboratório, numa cultura celular. Para eles, provavelmente existem outras "vias" também envolvidas com a transição para a metástase. Mas, se aqueles resultados se repetirem, poderá ser terapeuticamente possível anular, seletivamente, a função pró-invasiva da p 120 nas caderinas mesenquimais e, ao mesmo tempo, manter a função pró-adesão dela em células epiteliais normais.

"Estamos trazendo uma compreensão melhor do processo que ocorre nos estágios iniciais da propagação do tumor e é exatamente esse processo que buscamos interromper", afirma Ánastasiadis.

Anastasiadis e Yanagisawa são co-autores do estudo, que foi financiado por Institutos Nacionais de Saúde e pelo Departamento de Saúde da Flórida, Estados Unidos.

###

To obtain the latest news releases from Mayo Clinic, go to www.mayoclinic.org/news. MayoClinic.com is available as a resource for your health stories.

Terms of Use and Information Applicable to this Site
Copyright ©2001-2008 Mayo Foundation for Medical Education and Research. All Rights Reserved.

.