Mayo Clinic home page [logo]

Search

  • Print
  • Adjust type size:
  • Font size down
  • Font size up

Duas cópias do gene do mal de Parkinson não resultam em maior gravidade ou surgimento precoce da doença

11 de Outubro de 2006

JACKSONVILLE, Flórida — Um grupo de pesquisadores concluiu que não existem diferenças notáveis entre pacientes que têm duas cópias da mutação mais comum do recentemente descoberto gene LRRK2 e os que têm apenas uma cópia, em casos de doença de Parkinson. O estudo faz parte da edição deste mês do jornal Archives of Neurology.

Na maioria das doenças com causas ou componentes genéticos, duas cópias de um gene defeituoso levam a manifestações visivelmente mais graves da doença. Assim, ao iniciar o estudo, os pesquisadores partiram da hipótese de que os portadores de duas cópias do gene LRRK2, com mutação G2019S, estariam sujeitos a sintomas mais graves, além de um início precoce da doença e uma expectativa de vida menor. "O estudo provou que esse não era o caso", diz o neurologista Zbigniew Wszolek, da Clínica Mayo, em Jacksonville, Flórida.

Wszolek formou um consórcio internacional que comparou as características clínicas da doença de Parkinson nos dois grupos. "Os resultados são enigmáticos", ele diz. "Mais estudos são necessários. Mais pacientes precisam ser identificados e, esperamos, mais pesquisas científicas básicas devem ser realizadas para se descobrir uma explicação para isso".

A mutação G2019S é a mais comum das 20 mutações já identificadas do gene LRRK2, que causam a doença. Existem seis genes conhecidos que causam o desenvolvimento de doença de Parkinson familial. Mas apenas um, a mutação G2019S do gene LRRK2, tem sido associado a casos de doença de Parkinson anteriormente inexplicáveis. Wszolek e seus colegas esperam que estudando as formas com que esses genes causam a doença, especialmente a mutação G2019S, é possível chegar a melhores tratamentos e mesmo à cura. "Estamos todos unidos em torno do propósito comum de saber mais sobre a doença de Parkinson, de descobrir tratamentos que levem à cura e, assim, poder ajudar os pacientes", diz Wszolek. "Acho que demos um passo nessa direção".

Ao combinar seus estudos em diversas partes do mundo, Wszolek e seus colegas encontraram 26 pessoas com a mutação G2019S em ambas as cópias de seus genes LRRK2 - uma herdada da mãe e outra do pai. Curiosamente, três pacientes com dupla mutação não apresentaram sinais clínicos de doença de Parkinson, uma indicação de que a penetrância desse gene é reduzida ["penetrância" é o grau do efeito produzido por um gene em determinada população].

Esse conceito significa que a ocorrência da mutação genética não leva, por si só, ao desenvolvimento de sintomas graves ou mesmo ao desenvolvimento de quaisquer sinais da doença em 100% dos casos [por isso sua penetrância é classificada como "reduzida"]. "Existem alguns fatores adicionais, tanto genéticos quanto ambientais, que trabalham para produzir a doença ou, ao inverso, para proteger a pessoa contra o desenvolvimento da doença", diz Wszolek.

Essa última descoberta sustenta a teoria, defendida por muitos, de que a maioria dos casos de doenças de Parkinson só podem ser explicados pela interação de uma quantidade de genes ou por uma interação de fatores genéticos e ambientais.

Wszolek e seus colegas descobriram que todos os pacientes participantes do estudo, quer tivessem uma ou duas mutações G2019S, apresentavam um início assimétrico de sintomas, mais freqüentemente tremor, sem preponderância masculina ou feminina; e nos dois grupos os pacientes apresentavam uma variação de idade similar, quando os sintomas começaram a aparecer.

Wszolek foi um dos primeiros pesquisadores que descobriram , em 2004, que o gene LRRK2 causava parkinsonismo. Ele também fez parte da equipe que descobriu que a mutação G2019S causa parkinsonismo em muitas famílias norte-americanas e européias. Essa foi a primeira vez que uma causa genética foi associada à uma doença de Parkinson típica, de início tardio.

Lianna Ishihara, MPhil., da Universidade de Cambridge, Cambridge, Inglaterra, é a principal autora do documento publicado no jornal Archives of Neurology. São co-autores: Matthew Farrer, Ph.D.; Ryan Uitti, M.D. e Zbigniew Wszolek, M.D., da Clínica Mayo; Rachel Gibson, Ph.D.; David Leppert, M.D; Lefkos Middleton, M.D.; e Liling Warren, Ph.D., da GlaxoSmithKline; Rim Amouri, Ph.D.; e Faycal Hentati, M.D., do Instituto Nacional de Neurologia, Tunes, Tunísia; Alexis Brice, M.D.; Alexandra Durr, M.D., Ph.D.; e Suzanne Lesage, Ph.D., da Universidade de Pierre et Marie Curie, Paris, França; Meriem Tazir, M.D., do Centro Hospitalar Universitário de Mustapha, Argel, Argélia; William Nichols, Ph.D., do Centro Médico Children's de Cincinnati; Alida Griffith, M.D., do Centro Médico do Hospital de Evergreen, Kirkland, Washington; Nobutaka Hattori, M.D., da Universidade de Juntendo, Tóquio, Japão; Ray Watts, M.D., da Universdade de Alabama em Birmingham; Cyrus Zabetian, M.D., da Escola de Medicina da Universidade de Washington; e Titiana Foroud, Ph.D., do Centro Médico da Universidade de Indiana.

rabalho dos pesquisadores teve o apoio de: GlaxoSmith Kline; Cohortes et Collection 2001 Institut National de la Santé et de la Récherche Médicale; Ministério de Pesquisa e Tecnologia da França; Associação Francesa de Parkinson; Institutos Nacionais de Saúde; a Agência Nacional de Investigação; a Associação Americana de Doença de Parkinson; e Departamento Americano para asuntos dos veteranos.

###

To obtain the latest news releases from Mayo Clinic, go to www.mayoclinic.org/news. MayoClinic.com is available as a resource for your health stories.

Terms of Use and Information Applicable to this Site
Copyright ©2001-2008 Mayo Foundation for Medical Education and Research. All Rights Reserved.

.