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Pesquisa da Clínica Mayo promete melhor tratamento para o câncer de pulmão

28 de Fevereiro de 2006

JACKSONVILLE, Flórida — Pesquisadores cancerologistas da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, conseguiram, com a ajuda de um componente terapêutico do ouro, bloquear sinais promotores de câncer entre proteínas sabidamente envolvidas no desenvolvimento de câncer de pulmão - mais exatamente, de câncer pulmonar de células não pequenas (NSCLC - non-small cell lung cancer), a causa número um de mortes por câncer nos Estados Unidos. Se novos estudos vierem a validar a descoberta da Mayo, essa estratégia pode levar à descoberta de medicamentos que poderão inibir a formação desse tipo de câncer. Isso irá representar um avanço significativo na luta contra essa doença comum e endêmica que, geralmente, não responde bem às terapias existentes.

O significado da pesquisa da Mayo
O relatório da Clínica Mayo, que descreve essa descoberta, aparece na edição de fevereiro da Cancer Research [Cancer Research]. Nele, a equipe da Mayo apresenta a primeira evidência de laboratório que sustenta o conceito de que é possível bloquear a comunicação "oncogênica" (causadora de tumor) entre uma proteína celular específica - a Proteína Cinase C iota (PKC1) - e uma segunda proteína, a PAR6, que retransmite os sinais oncogênicos vindos da PKC1. Por meio de um sistema de análise de substâncias, de alto rendimento, os pesquisadores identificaram um composto do ouro que rompe a vinculação da PKC1 com a Par6 e, assim, interrompe a sinalização promotora de câncer nas células NSCLC. O componente do ouro deteve o crescimento de células NSCLC humanas em cultura e de tumores NSCLC em camundongos. O NSCLC, um dos dois tipos principais de câncer de pulmão, representa cerca de 80% de todos os casos de câncer de pulmão.

O diretor da Cancer Basic Science da Clínica Mayo de Jacksonville, Alan P. Fields, que liderou a equipe de pesquisa do Mayo Clinic Comprehensive Cancer Center, diz que esse estudo é um primeiro passo em direção à descoberta de uma nova terapia para esse tipo de câncer, o NSCLC, que irá visar a proteína PKC1.

"Nossos dados fornecem provas para o conceito de que é possível romper a interação chave proteína-a-proteína em que sinais promotores de câncer são transmitidos e, com isso, chegar a um tratamento eficaz para o NSCLC, no decorrer de mais estudos", afirma Fields. "As pesquisas mostraram uma nova abordagem à manipulação dos sinais que induzem o crescimento de tumores. A descoberta, para nós, é especialmente excitante, porque a PKC vem sendo o foco de nossas pesquisas há muito tempo", ele declara.

A PKC1 pertence à uma família de proteínas que está implicada no desenvolvimento de câncer, como se descobriu no início da década de 80. Mas, desde então, faltava estabelecer um vínculo genético direto entre essas proteínas e o câncer humano. No final do ano passado, a equipe liderada por Field anunciou, finalmente, que as pesquisas comprovaram um vínculo genético entre a PKC1 e o câncer humano e que a PKC1 promove o desenvolvimento do câncer.

"Nossas averiguações atuais procuram aplicar essa descoberta básica na busca de um novo agente que vise a PKC1 e que poderá, assim, melhorar as opções de tratamento desse tipo de câncer (NSCLC)", afirma Fields. "Apesar dos resultados obtidos recentemente serem promissores, ainda não podemos afirmar que essas pesquisas vão nos levar ao desenvolvimento de uma terapia melhor para o câncer do pulmão", reconhece o médico. Ele observa, entretanto, que o composto do ouro identificado nesse estudo já está aprovado para uso clínico, no tratamento da artrite reumatóide, o que torna possível iniciar tratamentos de pacientes com câncer de pulmão muito em breve.

Sobre o câncer de pulmão
O câncer de pulmão é a maior causa de morte por câncer nos Estados Unidos - em 2004, foram cerca de 160.400 mortes. Tumores NSCLC, em estágios iniciais, são freqüentemente tratados com cirurgia e terapia por radiação. Casos mais avançados de câncer são também tratados com uma combinação de quimioterapia. Mesmo no caso de tratamento agressivo de câncer em seu estágio inicial, a taxa de sobrevivência de 5 anos não passa dos 14%.

Colaboração e apoio
Além de Alan Fields, a equipe de pesquisa da Clínica Mayo incluiu os seguintes especialistas: Melody Stallings-Mann, Ph.D., Lee Jamieson, Roderick Regala, Ph.D., Capella Weems e Nicole Murray, Ph.D. A pesquisa foi patrocinada pela Fundação Mayo.

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