1 de Janeiro de 2006
JACKSONVILLE, Flórida — O neurologista da Clínica Mayo de Jacksonville, Flórida, Zbigniew Wszolek recebeu o prêmio da Fundação Annemarie Opprecht de 2005, na Suíça, durante encontro conjunto da Sociedade Suíça de Neurologia e Sociedade Suíça de Neurocirurgia. O prêmio, que foi compartilhado com o médico Stanley Fahn, da Universidade de Columbia, de Nova Yorque, visa promover internacionalmente a pesquisa médica — ou relacionada com a medicina — no campo da doença de Parkinson. Trabalhos que apresentam descobertas ou resultados significativos, em todas as áreas de pesquisa relacionadas com a doença de Parkinson, são concorrentes ao prêmio.
De acordo com o presidente do Comitê de Premiação da Fundação Annemarie Opprecht, M. Sturzenegger, Wszolek recebeu o prêmio porque apresentou resultados importantes de sua pesquisa e, também, "por seu trabalho pioneiro, que vem sendo desenvolvido há muitos anos, na pesquisa da patogênese da doença de Parkinson".
"Sou muito grato a todos os meus familiares que participaram dessa pesquisa e a todos os meus colegas e colaboradores da Áustria, Canadá, Alemanha e dos Estados Unidos, que trabalharam incansavelmente comigo nesse estudo", declarou Wszolek. Ele doou metade de seu prêmio em dinheiro, 50 mil francos suíços, à Clínica Mayo, para ser aplicado em mais estudos sobre famílias com a doença de Parkinson.
O neurologista da Mayo apresentou o trabalho "Mutações no [gene] LRRK2 causam parkinsonismo autossômico dominante com patologia pleomórfica", que foi publicado na edição de novembro de 2004 do jornal Neuron. Wszolek e seus colegas relataram que a mutação no gene LRRK2 desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da patologia característica da doença de Parkinson e de outros distúrbios neurodegenerativos.
Nos últimos 15 anos, Wszolek vem estudando duas das seis famílias, nas quais a mutação no gene LRRK2 foi constatada. "A descoberta desse gene terá implicações significativas no entendimento dos mecanismos que levam ao desenvolvimento das doenças neurodegenerativas", ele disse. "Esperamos que a continuação dos estudos desse gene vai nos conduzir à descoberta de um tratamento curativo da doença de Parkinson e de outros problemas similares".
Wszolek iniciou suas pesquisas em genética do Mal de Parkinson e enfermidades relacionados numa época em que a pesquisa era dominada pela busca de fatores ambientais causadores da doença. Em 1987, ele examinou um paciente com a doença de Parkinson, que relatou situações similares em sua própria família. Esse caso consistente de histórico familiar estimulou o neurologista a se interessar mais por genética. Ele foi adiante e passou a estudar a árvore genealógica da família desse paciente, expandindo-a em até mais de 300 membros e chegando às suas origens na Virginia (EUA), ainda no período colonial. Esse grupo familiar, denominado a "Família PPND", contribuiu de forma significativa para a compreensão desse distúrbio que, à época, ficou conhecido como demência frontotemporal e parkinsonismo ligado ao cromossomo 17.
Nesses anos, Wszolek tem viajado extensamente pelos Estados Unidos e Canadá, para encontrar e examinar pacientes e seus familiares, com o objetivo de expandir os grupos de parentes com Mal de Parkinson, cuja genética tem permitido avanços importantes no entendimento da genética da doença e de distúrbios relacionados.
A Fundação Annemarie Opprecht foi criada em 1998 e é patrocinada pela filantropista suíça Annemarie Opprecht. A Fundação concedeu prêmios, no valor de 100.000 francos suíços, em 1999 e 2002.
Síndrome das pernas inquietas O neurologista da Clínica Mayo Zbigniew Wszolek também foi premiado pela Sociedade Canadense de Parkinson, que lhe conferiu o "Donald Calne Lectureship — 2005", por seu trabalho na pesquisa da genética do Mal de Parkinson.
Atualmente, a pesquisa de Wszolek se foca no estudo de causas genéticas da doença de Parkinson em várias famílias. Ele e os médicos Matthew Farrer, Dennis Dickson e Ryan Uitti, seus colegas da Mayo, estudam atualmente uma grande família, com muitos casos de doença de Parkinson e de outros distúrbios do movimento. "Se descobrirmos o gene dessa família, provavelmente vamos encontrar respostas para o tremor essencial e para a síndrome das pernas inquietas, um distúrbio neurológico muito comum".
Depois de fazer uma palestra sobre genética no "XI Simpósio Anual da Doença de Parkinson" em Memphis (Tennessee, EUA), há poucos meses, Wszolek e sua equipe foram para o Arkansas, onde examinaram mais 21 membros daquela mesma família. A ampliação do estudo dessa e outras famílias com Mal de Parkinson habilita os médicos a coletar mais amostras individuais de DNA, necessárias para descobrir o gene evasivo — ou a mutação do gene — responsável pelo desenvolvimento do mal.
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